sábado, 21 de maio de 2022
IPOs

Eleições e economia global pós-pandemia podem impactar ofertas de IPO em 2022

Cenários voláteis normalmente não são positivos paraentrada no mercado de ações, mas muitas empresas adiaram IPO para o próximo ano

29 dezembro 2021 - 10h00Por Agência EY
IPOIPO - Crédito: Shutterstock

Por Agência EY - Em 2021, o mercado brasileiro registrou 45 ofertas de IPO (Oferta Inicial de Ações, na sigla em inglês), movimentando mais de R$ 65 bilhõesna Bolsa de Valores.

A maioria das ofertas ocorreu nos dois primeiros meses do ano e diminuiu no segundo semestre.

De acordo com Rafael Santos, sócio da EY e especialista em IPO, diversas empresas no mercado que postergaram suas transações em 2021 podem voltar ao longo de2022, casoo cenário de mercado seja favorável.

“2022 é ano de eleições no Brasil e, normalmente, anos de eleições sãode volatidadenosmercados. Cenários voláteis normalmente não são panoramas positivos para IPO”, afirma. 

Em entrevista à Agência EY, para a série sobre as perspectivas nos maisdiversos aspectos socioeconômicos, Rafael Santos aborda as vantagens e os riscos de as empresas abrirem seu capital no mercado, as expectativas para 2022 e o impacto do ESG em IPOs. 

Quais são as vantagens para as empresas em abrir seu capital no mercado? 

O processo de abertura de capital de uma empresa possui diversos benefícios, incluindo o acesso eficiente a mercados de capitais para obter recursos por meio de ofertas de capital próprio e títulos de dívida; flexibilidade para negociar ações de alta liquidez e valorização diária; maior exposição e reconhecimento da marca e prestígio com consumidores; ações funcionando como a nova moeda de troca para potenciais M&A; potencial para diversificar riqueza do lado do acionista; liquidez para o acionista e opção para solução em conflitos de sucessão familiar; aumento da capacidade de atrair, reter e recompensar funcionários valorizados como empresa listada na Bolsa; e oportunidade de vínculo e incentivo a profissionais-chave com planos de incentivo de longo prazo. 

E quais são os riscos? 

Por outro lado, o processo traz novas obrigações e responsabilidades, como tarefas adicionais, principalmente nas relações com os investidores; maiores requisitos de transparência e divulgação; custos totais de oferta de IPO; custos adicionais associados aos requisitos contínuos como empresa listada na Bolsa; novos investidores com direito a voto; pressão para cumprir as suas promessas; e deveres adicionais de governança corporativa. 

Como as oscilações ocorridas mercado financeiro durante a pandemia afetaram os processos de IPO, no Brasil e no mundo? 

As injeções de recursos feitas pelos governos ao redor do mundo para mitigar os efeitos negativos da pandemia nas economias gerou grande liquidez no mercado, um cenário muito positivo para IPO.

Especificamente no Brasil, o cenário de grande liquidez de recursos, taxas de juros baixas e novos entrantes na bolsa de valores criou um ambiente muito favorável para IPO.

Em 2020 foram 28 transações, levantando aproximadamente R$ 117 bilhões em recursos. Já em 2021, esse número aumentou para 45 empresas. 

Quais são as expectativas para os processos de IPO em 2022, no Brasil e no mundo? 

Em 2022 teremos eleições no Brasil e, normalmente, anos de eleições são de volatidade dos mercados.

Além disso, ainda existem incertezas atuais sobre desdobramentos de recuperação econômica global e no Brasil, efeitos de inflação e taxas de juros, a própria evolução da pandemia, todos componentes que contribuem para volatilidade.

Cenários voláteis normalmente não são cenários positivos para IPO. Entretanto, existem diversas empresas no mercado que postergaram suas transações em 2021 e podem voltar ao longo do ano de2022, casoo cenário de mercado seja favorável. 

Várias empresas estão reanalisando a abertura de seu capital em decorrência das oscilações no mercado financeiro e do desempenho nas bolsas abaixo do esperado. Como podemos interpretar esses movimentos? 

Como mencionado anteriormente, os últimos anos foram períodos com cenários bastante positivos para abertura de capital pelas empresas.

Em um cenário com mercados mais voláteis, é natural que empresas tenham de se reajustar ao momento e, eventualmente, aguardar um período mais propicio para a realização da oferta. 

Muitos investidores estão analisando as novas empresas nas bolsas sob a ótica ESG. Como o ESG pode impactar os processos de IPO de uma empresa? Essa exigência será cada vez mais comum por parte dos investidores? 

Sem dúvida, ESG é um tema que tem estado nas agendasdos IPOs.

Os investidores já buscam empresas que demonstrem ou que já possuam políticas e metas para adequar aos padrões de ESG, assim como os reguladores têm trabalhado para que as empresas forneçam cada vez informações claras sobre suas ações voltadas para ESG.

Imaginamos que essa tendência deve permanecer no futuro. 

Ainda sobre questões ambientais, como avalia o greenwashing, ou seja, estratégias de sustentabilidade adotadas por empresas que não correspondem à realidade e, na maior parte das vezes, se resume a estratégias de marketing para valorizar o desempenho da empresa no mercado financeiro? 

Tanto reguladores e quanto o mercado estão atentos e já seguem atuando para a regulamentação de padrões comparáveis para os relatórios de sustentabilidade.

A tendência é de que o mercado irá apreciar empresas que adotem padrões confiáveis e sujeitos à asseguração por auditoria independente. 

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