Lionel Messi desembarcou na Argentina na sexta-feira para o jogo de despedida com a seleção, marcado para terça-feira contra Benin, em Buenos Aires. O craque viajou de Miami em jato particular com a família e pousou em Rosario, sua cidade natal, a cerca de 300 quilômetros da capital argentina.

A Associação Argentina de Futebol declarou que a partida tem como propósito proporcionar ao melhor atleta do mundo uma despedida em casa à altura de sua trajetória. Vários campeões mundiais de 2022 devem participar das celebrações, mas Paulo Dybala e Nahuel Molina ficarão de fora porque a Roma não os liberou.

Messi anunciou a aposentadoria internacional em 31 de agosto. A decisão encerra uma carreira de 21 anos na Albiceleste, com 207 partidas e 125 gols — recordes absolutos do país —, dois títulos da Copa América e uma conquista da Copa do Mundo. O último grande capítulo foi a final do Mundial de 2026, quando a Argentina perdeu para a Espanha. Messi marcou oito gols na competição, incluindo um hat-trick na estreia contra a Argélia, e deu quatro assistências.

Da estreia de 47 segundos ao topo do mundo

A primeira aparição de Messi pela seleção argentina aconteceu em 17 de agosto de 2005, aos 18 anos, quando ele substituiu Lisandro López na vitória por 2 a 1 sobre a Hungria. A passagem pelo campo durou 47 segundos, encerrada com expulsão logo após a entrada no segundo tempo.

No Mundial de 2006, disputou três partidas e se tornou o argentino mais jovem a marcar em uma Copa do Mundo, ao anotar um gol e dar uma assistência na goleada por 6 a 0 sobre Sérvia e Montenegro. A campanha terminou nas quartas de final, com eliminação para a Alemanha nos pênaltis.

Em 2008 veio a medalha de ouro olímpica em Pequim, em campanha com seis vitórias, nenhum empate e nenhuma derrota, coroada com o 1 a 0 sobre a Nigéria na decisão. Seis anos depois, no Mundial de 2014, foi capitão, marcou quatro gols, deu uma assistência, recebeu a Bola de Ouro do torneio e perdeu a final para a Alemanha por 1 a 0, na prorrogação.

O primeiro título sênior chegou em 2021, na Copa América, com vitória por 1 a 0 sobre o Brasil na final. Messi terminou o torneio com quatro gols e cinco assistências e foi escolhido um dos melhores jogadores, ao lado de Neymar. No ano seguinte, levantou a Copa do Mundo: sete gols e três assistências, dois deles na final contra a França, empatada em 3 a 3 e decidida nos pênaltis por 4 a 2. Foi a segunda Bola de Ouro de Mundial de sua carreira, feito inédito na premiação.

Em 2023, recebeu o oitavo Ballon d’Or. Em 2024, capitaneou a Argentina no título da Copa América, com 1 a 0 sobre a Colômbia na prorrogação. No total, são 207 jogos e 125 gols pela seleção, números que lideram as estatísticas históricas do país.

O desafio de reconstruir a Argentina sem o camisa 10

Além de Messi, apenas Nicolás Otamendi deixa a seleção depois do jogo contra Benin. O técnico Lionel Scaloni convocou 35 jogadores para o novo ciclo, dos quais 20 estiveram no Mundial de 2026, conforme análise publicada pelo The Guardian sobre o futuro da equipe. Leandro Paredes e Nahuel Molina cumprem suspensões longas, Nicolás Tagliafico, aos 34 anos, avalia seu futuro, e 12 dos convocados têm três ou menos partidas internacionais.

As oportunidades mais imediatas estão na defesa. Cristian Romero e Lisandro Martínez, ambos com 28 anos, aparecem como a provável dupla titular de zagueiros, enquanto Valentín Gómez, do Real Betis, e Tomás Palacios, emprestado ao Estudiantes pelo Inter, disputam a condição de reservas. Nas laterais, com Molina suspenso, Tagliafico veterano e Gonzalo Montiel lesionado, dois jogadores de 22 anos podem ganhar espaço: Agustín Giay, do Palmeiras, e Román Vega, do Zenit.

Sem um camisa 10 criativo, a formação também está em aberto. Scaloni pode optar por pontas mais tradicionais, abrindo espaço para jovens como Leonel Flores, do Boca Juniors, e Matias Soulé, da Roma, com estreia provável nos próximos compromissos. O treinador, segundo a mesma análise, sinalizou que deve renovar contrato até a Copa América de 2028, com opção de extensão até o Mundial de 2030.

Há elementos que sustentam algum otimismo. A melhor atuação da Argentina na era Scaloni, de acordo com o jornal britânico, foi a vitória por 4 a 1 sobre o Brasil em jogo das eliminatórias, em março de 2025, sem Messi em campo. Naquela partida, Leandro Paredes ancorou o meio-campo, com Alexis Mac Allister e Enzo Fernández se conectando a Rodrigo De Paul e Thiago Almada pelos lados e Julián Alvarez no comando do ataque.

O que Messi oferecia, porém, era difícil de reproduzir. O exemplo mais eloquente ocorreu quase no fim de sua trajetória: a Argentina perdia por 2 a 0 para o Egito com 11 minutos restantes das oitavas de final do Mundial de 2026 e virou o jogo sem precisar da prorrogação. A mesma análise sustenta que substituir o camisa 10 é tarefa impossível tanto no plano tático quanto no impacto sobre o espírito do grupo — a equipe pode até ganhar mais fluidez coletiva, mas perde a certeza de que alguém resolveria a partida a qualquer momento.

O novo ciclo já começou a ser testado. A Argentina venceu a Bolívia por 4 a 0 na quarta-feira, e o amistoso com Burkina Faso, previsto para sábado, está ameaçado por problemas de deslocamento da delegação africana.