Estados Unidos e México se enfrentam neste sábado (3), às 23h (de Brasília), no State Farm Stadium, em Glendale, no Arizona, no 80º capítulo da maior rivalidade da Concacaf. O amistoso é o primeiro encontro entre as duas seleções desde a final da Copa Ouro de 2025, vencida pelo México por 2 a 1, em Houston, e inaugura uma nova etapa nas duas equipes: de um lado, Mauricio Pochettino aposta em jovens talentos nos Estados Unidos; do outro, Rafael Márquez busca sua primeira vitória no comando do México.

Onde assistir e o ambiente do jogo

A partida será transmitida pela ESPN e pelo Disney+, com início marcado para as 23h (de Brasília). O duelo será realizado em território americano, no State Farm Stadium, em Glendale, a poucos quilômetros de Phoenix, região próxima à fronteira entre os dois países. Pochettino brincou, na entrevista coletiva pré-jogo, que esperava um público dividido em 50 a 50, mas admitiu que o cenário é improvável diante da histórica presença da torcida mexicana em jogos disputados nos Estados Unidos.

Até o fechamento desta reportagem, a equipe de arbitragem responsável pelo amistoso ainda não havia sido divulgada.

Como chegam as duas seleções

Os Estados Unidos vêm de uma vitória por 4 a 2 sobre o Chile, em amistoso recente, e buscam recuperação depois de uma eliminação em casa para a Bélgica. Pochettino, no entanto, não poderá contar com Christian Pulisic, Folarin Balogun e Alejandro Zendejas, todos machucados — o que deve abrir mais espaço para os jovens do elenco.

O México chega após um empate por 1 a 1 com o Peru. O meia Gilberto Mora ficou no banco naquela partida por dores no tornozelo, mas deve voltar ao time titular contra os americanos. O treinador mexicano não terá César Montes, Raúl Jiménez e Julián Quiñones, também machucados. A seleção mexicana venceu três dos últimos seis compromissos e ainda não venceu sob o comando de Rafael Márquez, que soma dois empates.

Retrospecto do clássico

No histórico do confronto, o México leva vantagem. Em 79 partidas, os mexicanos venceram 38, contra 24 triunfos americanos, além de 17 empates. Os mexicanos ganharam os dois últimos clássicos e são os atuais campeões da Copa Ouro e da Liga das Nações da Concacaf. Em Copas Ouro, o México soma 10 títulos, contra sete dos Estados Unidos.

A rivalidade, no entanto, ficou mais equilibrada nas últimas décadas. O chamado “Dos a Cero” na Copa do Mundo de 2002 e a primeira vitória dos Estados Unidos no Estádio Azteca, em 2012, são lembrados como momentos-chave dessa reação americana.

Prováveis escalações

As projeções para o time americano apresentam variações. Uma das versões indica Chris Brady no gol; Francis Westfield, Neil Pierre, Miles Robinson e Antonee Robinson na defesa; Brooklyn Raines, Sebastian Berhalter e Giovanni Reyna no meio-campo; e Adri Mehmeti, Sergino Dest e Julian Hall no ataque. Outra projeção aponta Brady (ou Schwake) como goleiro, com Nolan Freeman, Cole Campbell, Auston Trusty e Kamal Miller na zaga; Musah e Tyler Adams como volantes; e Mathis Albert, Adri Mehmeti, Giovanni Reyna e Julian Hall no setor ofensivo.

Pelo lado mexicano, as duas projeções também divergem. Uma delas escala Óscar García; Jeremy Márquez, Víctor Guzmán, Everardo López e Mateo Chávez; Denzell García, Obed Vargas e Álvaro Fidalgo; Isaías Violante, Germán Berterame e Orbelín Pineda. A outra indica Rangel no gol; Jorge Sánchez, Johan Vásquez, Israel Reyes e Jesús Gallardo na defesa; Erik Lira e Luis Romo no meio; Roberto Alvarado, Gilberto Mora, Lozano (ou Víctor Guzmán) e Santiago Giménez no ataque.

A nova era da rivalidade

O amistoso deste sábado abre um novo ciclo entre as duas seleções, e as jovens gerações já foram avisadas sobre o que encontrarão pela frente. De acordo com o Goal.com, dos 18 jogadores convocados pelos Estados Unidos, apenas 12 já enfrentaram o México no nível principal. O grupo americano reúne vários adolescentes, entre eles Cavan Sullivan, de 17 anos, enquanto o México responde com Gilberto Mora, que só completará 18 anos em outubro. O ex-jogador e comentarista Sacha Kljestan avalia que a dupla pode marcar a rivalidade pelos próximos 15 anos, em uma dinâmica comparável à de Landon Donovan contra Chicharito.

Na mesma reportagem, Pochettino recordou que a final da Copa Ouro de 2025 foi disputada em solo americano, com 70 mil torcedores mexicanos cantando nas arquibancadas, situação que classificou como dolorosa e difícil de aceitar. O volante Tyler Adams, nomeado capitão pouco mais de 24 horas antes do jogo em substituição ao recém-aposentado Tim Ream, cumpre contra o México seu quinto duelo pela seleção principal — foi justamente em um amistoso contra os mexicanos, em 2018, que ele marcou seu primeiro gol pelos Estados Unidos.

O lateral Sergino Dest, expulso em uma confusão contra o México na final da Liga das Nações da Concacaf, resumiu o clima do confronto: “às vezes haverá brigas”. Para o defensor, o jogo se aproxima de uma pequena guerra dentro de campo, com grau de dificuldade sempre superior ao de outros amistosos.

O ex-meio-campista Joe Corona, que atuou pela seleção americana e também teve passagem pelas categorias de base do México, afirmou à reportagem que a divisão de lealdades entre mexicanos e mexicano-americanos torna o ambiente desses jogos único. Zavier Gozo, que fará sua estreia pela seleção principal dos EUA contra os rivais, também disse à reportagem que não existem amistosos nessa rivalidade e que a equipe está disposta a dar tudo pelo escudo.

Ficha técnica

Confronto: Estados Unidos x México
Competição: Amistoso internacional (Data Fifa)
Data e horário: sábado, 3 de outubro de 2026, às 23h (de Brasília)
Local: State Farm Stadium, Glendale, Arizona (EUA)
Transmissão: ESPN e Disney+
Arbitragem: ainda não divulgada