foto aérea do Banco Central do Brasil em Brasília
Sede do Banco Central do Brasil em Brasília, responsável pelo levantamento do Relatório Focus

O Banco Central do Brasil divulgou nesta segunda-feira (25) uma nova edição do Relatório Focus. O levantamento semanal, que consolida a percepção das principais instituições financeiras, revelou uma deterioração nas expectativas inflacionárias para o ano de 2026. Por outro lado, as estimativas voltadas para o comportamento do câmbio seguiram em trajetória descendente no período.

Pressão inflacionária avança para 2026

A estimativa mediana do mercado para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de 2026 subiu de 4,92% para 5,04%. O movimento representa a 11ª elevação consecutiva do indicador. Há quatro semanas, os analistas estimavam que o índice fecharia o ano em 4,86%. Para 2027, as expectativas avançaram ligeiramente de 4,00% para 4,01%, o que interrompeu uma sequência recente de estabilidade. No horizonte de longo prazo, as projeções para 2028 (3,65%) e 2029 (3,50%) não sofreram alterações.

O Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M) acompanhou o viés de alta para o ano de 2026. A projeção para o indicador saltou de 5,63% para 5,91%, acumulando sua 12ª subida consecutiva. As previsões do IGP-M para os anos seguintes mantiveram-se ancoradas: 4,00% para 2027 , 3,82% para 2028 e 3,70% para 2029.

No segmento de preços administrados, o relatório trouxe as seguintes atualizações:

  • 2026: A projeção subiu de 4,93% para 4,99%.
  • 2027: A expectativa avançou de 3,80% para 3,81%.
  • 2028: A mediana seguiu estável em 3,50% pela 26ª semana consecutiva.
  • 2029: O indicador permaneceu inalterado em 3,50%.

Câmbio recua e PIB tem revisão para cima

Em contrapartida à pressão dos preços internos, as expectativas para o câmbio em 2026 recuaram de R$ 5,20 para R$ 5,17 por dólar, estendendo o viés de baixa observado na semana anterior. Há um mês, a cotação esperada pelos economistas para o final de 2026 situava-se em R$ 5,25.

A trajetória de recuo da moeda americana também se confirmou nos horizontes seguintes:

  • 2027: A mediana passou de R$ 5,27 para R$ 5,26, na segunda queda consecutiva.
  • 2028: A projeção caiu de R$ 5,34 para R$ 5,30.
  • 2029: A expectativa seguiu estável em R$ 5,40 pela terceira semana.

No que diz respeito à atividade econômica, o mercado financeiro elevou a estimativa de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro para 2026, com o indicador passando de 1,85% para 1,89%. Há quatro semanas, a projeção já se encontrava fixada em 1,85%. Por outro lado, a projeção de crescimento para o PIB de 2027 caiu de 1,77% para 1,70%. Para os anos de 2028 e 2029, a estimativa permaneceu estacionada no patamar de 2,00%.

Taxa Selic permanece estável em patamar elevado

A mediana das projeções para a taxa básica de juros (Selic) ao final de 2026 permaneceu estável em 13,25% ao ano. O patamar atual de expectativas reflete uma piora em relação ao cenário de quatro semanas atrás, quando o mercado projetava uma Selic de 13,00% ao ano para o encerramento daquele período.

Para os anos subsequentes, as expectativas de consenso entre as instituições consultadas pelo Banco Central não apresentaram oscilações:

  • 2027: A estimativa mediana continuou firme em 11,25% ao ano.
  • 2028: A projeção permaneceu mantida em 10,00% ao ano pela 18ª semana consecutiva.
  • 2029: A taxa Selic esperada seguiu inalterada em 10,00% ao ano.