Bombas de combustível em um posto brasileiro destacando preços de gasolina comum e etanol
Posto de combustível com bombas de gasolina e etanol prontas para novo reajuste em maio de 2026

O consumidor brasileiro deve preparar o bolso para novos reajustes nos próximos dias. Após um mês de abril marcado por altas severas, a tendência de encarecimento da gasolina e do diesel se mantém pressionada tanto pelo cenário geopolítico global quanto por medidas regulatórias internas. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva confirmou, nesta quinta-feira (30), que o governo elevará a mistura obrigatória de etanol anidro na gasolina de 30% para 32%, além de ampliar a presença de biodiesel no diesel para 16%.

A mudança na composição dos combustíveis ocorre em um momento de fragilidade nos preços. Dados do Índice de Preços Edenred Ticket Log (IPTL) revelam que o diesel S-10 já acumula alta superior a 7%, sendo negociado em média a R$ 7,61. A gasolina, que subiu 3,45% em abril, atingindo R$ 6,90, deve sofrer novos impactos com a alteração na mistura e a volatilidade do mercado internacional.

Pressão externa indica novos aumentos iminentes

O avanço dos preços nas refinarias e postos está estritamente vinculado à crise no Oriente Médio. A instabilidade em rotas comerciais estratégicas, como o Estreito de Ormuz, restringe a oferta global de petróleo e eleva a cotação do barril tipo Brent. Como o mercado brasileiro acompanha a paridade internacional, analistas indicam que novos repasses para os preços de bomba podem ocorrer já no início de maio.

Radiografia das altas regionais

Atualmente, o cenário nacional apresenta disparidades acentuadas:

  • Região Norte: Detém o maior preço médio do país, com o diesel S-10 chegando a R$ 7,93.
  • Nordeste: Registrou a maior intensidade de subida no mês, com o diesel comum avançando 8,51%.
  • Bahia: Teve os reajustes mais expressivos do período, com altas acima de 10% em decorrência da política de preços local.

Reflexo direto no custo de vida

A escalada dos combustíveis foi o principal motor da prévia da inflação de abril, que fechou em 0,89%. De acordo com o IBGE, a gasolina é o item de maior impacto individual no índice de preços. O aumento contínuo do diesel gera um “efeito cascata” preocupante: ao encarecer o frete e a logística, o combustível acaba elevando o preço final de alimentos e produtos industrializados, pressionando o orçamento das famílias brasileiras.