O mercado de infraestrutura brasileiro testemunha uma das maiores negociações do ano: o Porto Sudeste, em Itaguaí (RJ), está sendo vendido por um valor próximo a US$ 5 bilhões (cerca de R$ 27 bilhões pela cotação atual). O terminal, que movimenta minério de ferro e deve gerar mais de US$ 300 milhões de EBITDA em 2026, despertou o apetite de grupos estrangeiros e das gigantes nacionais Vale e Gerdau. As propostas vinculantes estão previstas para este mês, conforme apurou a SpaceMoney.

O ativo, que começou como um projeto do empresário Eike Batista, foi assumido pelo Mubadala Capital após a recuperação judicial e posteriormente teve a Trafigura como sócia para viabilizar as operações. Após uma década de investimentos e esforços comerciais, os controladores decidiram colocar o terminal à venda em 2025, contratando Goldman Sachs, UBS e Bradesco BBI para coordenar o processo.

Disputa por US$ 5 bilhões

Dois consórcios disputam a compra do Porto Sudeste. De um lado, a Global Infrastructure Partners (GIP), controlada pela BlackRock, uniu-se à Vale e à Gerdau. Do outro, a americana Stonepeak, especializada em ativos reais com US$ 88 bilhões sob gestão, formou parceria com a australiana M Resources. A movimentação mostra como fundos de infraestrutura globais e produtoras de commodities buscam garantir capacidade portuária estratégica no Brasil.

A GIP, adquirida pela BlackRock em 2024, já tem presença no Brasil em energia renovável (Atlas Renewable) e data centers (Aligned). Já a Stonepeak anunciou em janeiro a compra de 25% do Tecon Santos, terminal da CMA CGM, em negócio de US$ 2,4 bilhões envolvendo dez terminais mundiais.

Do projeto de Eike ao M&A de alto nível

Concebido para escoar a produção da MMX, o Porto Sudeste foi conectado a Minas Gerais pela Ferrovia do Aço. Sua capacidade total é de 50 milhões de toneladas anuais de granéis sólidos e líquidos, embora a operação atual gire em torno de metade disso. O terminal está recebendo investimentos para ampliar a atuação no setor de petróleo e gás, o que eleva seu potencial de geração de valor.

A entrada de Vale e Gerdau no consórcio da GIP não é casual: ambas precisam de garantias logísticas para exportar minério de ferro e aço. Já a Stonepeak, focada em infraestrutura, vê no ativo uma oportunidade de consolidar sua presença no mercado portuário brasileiro, após a recente aquisição no Tecon Santos.

Capacidade operacional e expansão

Com um EBITDA projetado de US$ 300 milhões, o Porto Sudeste negocia a múltiplos elevados, típicos de ativos de infraestrutura de alta qualidade. A taxa de ocupação atual, cerca de 50% da capacidade, sinaliza potencial de crescimento orgânico sem grandes investimentos adicionais. A diversificação para petróleo e gás também deve atrair novos clientes e aumentar a receita.

Para o governo e o mercado, a venda reforça a confiança no ambiente de negócios brasileiro para projetos de infraestrutura, especialmente após a reforma tributária e as concessões portuárias dos últimos anos. A conclusão do negócio está prevista para o segundo semestre de 2026, dependendo da aprovação dos órgãos antitruste.