"Se o País não for capaz de fazer o alinhamento da política fiscal e da política monetária, teremos a necessidade de taxas de juros altas", declarou Trabuco.A fala reforça uma percepção consolidada no mercado financeiro: enquanto o governo mantiver um deficit primário estrutural relevante, o Banco Central terá pouca margem para reduzir a Selic sem reacender as pressões inflacionárias.Impacto nos setores produtivosCom a taxa Selic em patamar elevado e a inflação ainda acima da meta central, o juro real brasileiro permanece entre os mais altos do mundo. Esse cenário penaliza diretamente o setor empresarial, que enfrenta custo de capital proibitivo para expansão e rolagem de dívidas.Para as famílias, o efeito é igualmente severo. O crédito ao consumidor fica mais caro, o endividamento aumenta e a capacidade de consumo recua — o que retroalimenta a desaceleração econômica.Fiscal como variável centralA análise de Trabuco coloca o ajuste fiscal como condição necessária — não suficiente — para a queda sustentável dos juros. Sem ancoragem fiscal crível, o prêmio de risco embutido nas taxas longas permanece elevado, independentemente das decisões do Copom.O tema é central no debate de macroeconomia brasileira em 2026, especialmente diante do ciclo eleitoral que se aproxima e das pressões sobre o arcabouço fiscal vigente.Bradesco e o cenário de créditoO Bradesco, um dos maiores bancos privados do país, tem acompanhado de perto o impacto dos juros elevados sobre a qualidade da carteira de crédito. A inadimplência no segmento de pessoa jurídica permanece como ponto de atenção, enquanto a demanda por crédito imobiliário e para capital de giro segue reprimida pelo custo financeiro.A declaração de Trabuco é um sinal claro do setor privado financeiro de que o Brasil precisa equacionar suas contas públicas para destravar o crescimento via redução estrutural dos juros.
"Se o País não for capaz de fazer o alinhamento da política fiscal e da política monetária, teremos a necessidade de taxas de juros altas", declarou Trabuco.A fala reforça uma percepção consolidada no mercado financeiro: enquanto o governo mantiver um deficit primário estrutural relevante, o Banco Central terá pouca margem para reduzir a Selic sem reacender as pressões inflacionárias.Impacto nos setores produtivosCom a taxa Selic em patamar elevado e a inflação ainda acima da meta central, o juro real brasileiro permanece entre os mais altos do mundo. Esse cenário penaliza diretamente o setor empresarial, que enfrenta custo de capital proibitivo para expansão e rolagem de dívidas.Para as famílias, o efeito é igualmente severo. O crédito ao consumidor fica mais caro, o endividamento aumenta e a capacidade de consumo recua — o que retroalimenta a desaceleração econômica.Fiscal como variável centralA análise de Trabuco coloca o ajuste fiscal como condição necessária — não suficiente — para a queda sustentável dos juros. Sem ancoragem fiscal crível, o prêmio de risco embutido nas taxas longas permanece elevado, independentemente das decisões do Copom.O tema é central no debate de macroeconomia brasileira em 2026, especialmente diante do ciclo eleitoral que se aproxima e das pressões sobre o arcabouço fiscal vigente.Bradesco e o cenário de créditoO Bradesco, um dos maiores bancos privados do país, tem acompanhado de perto o impacto dos juros elevados sobre a qualidade da carteira de crédito. A inadimplência no segmento de pessoa jurídica permanece como ponto de atenção, enquanto a demanda por crédito imobiliário e para capital de giro segue reprimida pelo custo financeiro.A declaração de Trabuco é um sinal claro do setor privado financeiro de que o Brasil precisa equacionar suas contas públicas para destravar o crescimento via redução estrutural dos juros.

O presidente do Conselho de Administração do Bradesco, Luiz Carlos Trabuco Cappi, alertou nesta segunda-feira (11) para a urgência de um alinhamento entre as políticas monetária e fiscal do Brasil. Durante sua participação na conferência “Brasil em Pauta”, realizada em Nova York, o executivo destacou que a ausência de sintonia entre essas áreas força a manutenção de taxas de juros em patamares elevados.

Para Trabuco, uma taxa de juros real — que desconta a inflação do período — no patamar de 10% ao ano é inviável para o desenvolvimento econômico. Ele classificou esse nível como “proibitivo”, afetando não apenas a saúde financeira das empresas e das famílias, mas também as contas do Tesouro Nacional.

Desafios do cenário macroeconômico

A declaração ocorreu durante o primeiro dia da “Brazil Week”, evento que reúne lideranças políticas e empresariais para discutir o futuro da economia brasileira. Trabuco reforçou que o equilíbrio das contas públicas é o caminho fundamental para que a política monetária possa ser mais flexível, permitindo a redução do custo do crédito no país.