
A Fitch Ratings elevou a nota de crédito do município do Rio de Janeiro para AAA na escala nacional de classificação de risco, deixando a cidade no nível mais alto da avaliação. Antes, o município ocupava o patamar AA+, um degrau abaixo do topo.
A classificação funciona como um selo sobre a capacidade da prefeitura de honrar dívidas e compromissos financeiros. Quanto mais alta a nota, menor é a percepção de risco para quem pretende emprestar dinheiro ou investir em projetos relacionados à cidade.
A classificação AAA concedida pela Fitch é nacional, ou seja, compara o Rio com outros emissores brasileiros. Na escala global, a nota de estados e municípios precisa ser ancorada no teto soberano do Brasil, que permanece em BB, com perspectiva estável.
O que a nota pode atrair
Uma classificação melhor tende a aumentar a confiança de bancos, fundos e outros investidores na capacidade de pagamento do município. Para o economista Gilberto Braga, professor do Ibmec, o efeito é especialmente importante para investidores institucionais e estrangeiros, que seguem regras sobre o nível de risco das localidades em que podem aplicar recursos.
Com uma percepção menor de risco, o Rio pode encontrar condições mais favoráveis para obter financiamento e se tornar mais atraente para determinados investimentos.
O que muda para o carioca
Não há mudança automática ou imediata. Receber AAA não significa que dinheiro novo entrará de pronto no caixa da prefeitura, nem garante a instalação de empresas ou a criação de empregos.
O efeito é indireto: uma situação fiscal considerada mais sólida pode facilitar investimentos e financiamentos, criando um ambiente mais favorável a novos projetos. Caso os empreendimentos saiam do papel, o resultado pode aparecer na geração de empregos e no aumento da arrecadação municipal. Mais receita também amplia a capacidade de investimento da prefeitura, mas a aplicação dos recursos depende das decisões do governo municipal.
Fundamentos da decisão
No relatório, a Fitch afirma que o Rio apresentou, nos últimos anos, melhoras consistentes na gestão fiscal, traduzidas em margens operacionais sólidas e bons indicadores de liquidez. A agência também prevê uma redução gradual da dívida, com os pagamentos tendendo a superar a contratação de novos empréstimos.
A Fitch ainda revisou o Perfil de Crédito Individual (PCI) do município, que mede a saúde financeira sem considerar apoios externos, de BB para BB+, com perspectiva estável. O novo patamar indica risco “médio a baixo”.
Perfil de risco e financeiro
O Perfil de Risco do Rio foi classificado como “médio a baixo”, e o Perfil Financeiro ficou na categoria A. Na robustez das receitas, a nota é média, com destaque para a dependência relativamente baixa de transferências da União e a exposição a fontes voláteis.
Já a ajustabilidade das receitas é considerada fraca, em razão da dependência de um pequeno número de contribuintes, da limitada capacidade de ajustar impostos e do histórico de intervenção federal na política tributária dos subnacionais.
Despesas e liquidez
Na sustentabilidade das despesas, a Fitch vê avaliação média: o município mantém controle moderado sobre o crescimento dos gastos, com margens sólidas e folha de pagamento em dia. A ajustabilidade das despesas, porém, é fraca, diante da baixa capacidade de reduzir custos em resposta a uma queda de arrecadação.
Em relação a passivos e liquidez, a robustez é média, já que o Rio tem quitado regularmente suas obrigações, o que resulta em índice muito baixo. A flexibilidade também é média: a Fitch estabelece limite de 100% para a média dos últimos três anos, e o município reportou índice médio de liquidez de 67,1%.
Comparação com o Estado de São Paulo
De acordo com a Fitch, o par mais próximo do Rio é o Estado de São Paulo, que tem rating nacional de longo prazo AAA e perspectiva estável. Ambos apresentam perfil de risco “médio a baixo” e perfil financeiro A.
No entanto, o índice de payback do Rio é menos pressionado e situa-se no patamar superior da categoria AA, o que explica por que o PCI do município está um grau acima do de São Paulo.
O que é uma nota de crédito
As notas de crédito são instrumentos usados por agências de classificação de risco para estimar a capacidade de governos e empresas cumprirem suas obrigações financeiras. Representadas por letras, números e sinais, elas vão de D, o nível mais baixo, a AAA, o mais alto, e são divididas em grau especulativo e grau de investimento.
Essa avaliação emite uma opinião independente sobre o risco de crédito do emissor. Alguns fundos de pensão internacionais, de países como Estados Unidos e nações europeias, seguem a regra de só investir em títulos classificados com grau de investimento por agências reconhecidas, o que torna a nota decisiva para atrair recursos.
A elevação do Rio reforça a importância do acompanhamento das finanças públicas, tema que segue no radar da editoria de macroeconomia.





