Segundo o Monitor do Mercado, a economia dos Estados Unidos criou apenas 29 mil vagas em setembro, resultado bem abaixo das projeções consultadas pelo Projeções Broadcast, que variavam de 50 mil a 175 mil, com mediana de 85 mil. As revisões para os meses anteriores reforçaram a leitura de perda de ritmo: agosto passou de 162 mil para 133 mil vagas, enquanto julho deixou de criar 21 mil postos e registrou eliminação de 10 mil.
Com o dado mais fraco, o mercado passou a atribuir probabilidade maior à manutenção dos juros pelo Federal Reserve na faixa atual de 3,75% a 4% ao ano na reunião de outubro. A percepção ganhou força após a divulgação do relatório de emprego, que também mostrou desaceleração dos salários e alta da taxa de desemprego.
Revisões derrubam média móvel e mudam composição das vagas
As revisões dos dois meses anteriores retiraram 60 mil vagas da série e reduziram a média móvel trimestral de criação de empregos de 71 mil para 51 mil postos, segundo Leandro Padulla, economista do ASA. O indicador é usado para suavizar oscilações mensais e captar a tendência mais recente do mercado de trabalho.
A composição das vagas também mudou. O emprego nos governos estaduais e locais caiu 16 mil postos, depois de avançar 47 mil em agosto. No setor de lazer e hotelaria, a criação desacelerou de 37 mil para 10 mil. Em sentido oposto, houve geração de empregos na construção, na indústria e nos setores de comércio, transporte e armazenagem.
No setor privado, a média móvel trimestral recuou de 75 mil para 54 mil vagas, segundo Padulla. Na avaliação do economista, o resultado mostra perda de ritmo na criação de empregos, mas não configura, isoladamente, uma deterioração acentuada do mercado de trabalho.
Salários sobem menos e desemprego avança a 4,2%
O salário médio por hora subiu 0,13%, ou US$ 0,05, para US$ 37,81 em setembro, enquanto a expectativa dos analistas era de alta de 0,3%. Em 12 meses, o avanço foi de 3,02%, ante consenso de 3,1%, também indicando desaceleração em relação ao crescimento anual anterior.
William Castro Alves, estrategista-chefe da Avenue, destacou que a alta mensal ficou abaixo do esperado e apontou perda de ritmo na remuneração dos trabalhadores. Conforme a reportagem do Monitor do Mercado, ele afirmou que “era esperado um avanço de 0,3%, mas veio um crescimento de apenas 0,1%, mostrando uma desaceleração”.
Na avaliação de Padulla, a composição setorial do emprego ajuda a explicar a menor pressão salarial: a perda de vagas em serviços profissionais e a migração da criação de empregos para setores de bens reforçam essa leitura. A jornada média semanal permaneceu em 34,4 horas.
A taxa de desemprego passou de 4,1% em agosto para 4,2% em setembro, enquanto o consenso apontava manutenção em 4,1%. Segundo Padulla, a piora foi limitada quando observada com maior precisão: a taxa subiu de 4,14% para 4,18% antes do arredondamento. A taxa de participação da força de trabalho aumentou de 61,64% para 61,79%, o maior nível desde maio.
FedWatch aponta manutenção como cenário dominante
A combinação de menos vagas, revisões baixistas, salários mais fracos e alta limitada do desemprego alterou a leitura da macroeconomia americana e a percepção sobre a próxima decisão do Fed. Segundo o monitoramento FedWatch, do CME Group, a probabilidade de manutenção dos juros chegou a 85,1% após a divulgação do payroll — antes de recuar novamente para 77% —, enquanto a possibilidade de uma alta de 25 pontos-base caiu para 14,9% e agora está em 22,9%.
O Jefferies avaliou que o relatório deve eliminar a possibilidade de uma elevação dos juros em outubro. “Esperávamos que o banco central continuasse com sucessivos ajustes de 25 pontos-base, mas agora parece mais provável que os formuladores de políticas mantenham uma postura paciente”, afirmou o banco.
Treasuries recuam e aliviam pressão sobre dólar e ativos de risco
Castro Alves destacou que os rendimentos dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos, os Treasuries, que estavam no maior nível desde 2002, recuaram após a divulgação do relatório. O movimento ocorreu em diferentes vértices da curva de juros, incluindo os títulos de dois, dez e 30 anos.
Para o estrategista da Avenue, a queda dos rendimentos também contribui para a pressão sobre o dólar e favorece ativos de risco, como as bolsas. O ouro tende a reagir ao mesmo movimento, já que yields menores reduzem o custo de oportunidade de manter um ativo que não paga juros.





