Um levantamento da Consultoria de Orçamento e Fiscalização Financeira da Câmara dos Deputados (Conof) aponta que 90% das despesas primárias do Projeto de Lei Orçamentária Anual de 2027 já têm destinação definida, segundo o g1. Com isso, apenas R$ 283,2 bilhões ficam na fatia discricionária, aquela em que o governo tem alguma margem para escolher prioridades.
As despesas primárias somam R$ 2,826 trilhões no projeto, montante que reúne gastos obrigatórios e os de livre decisão. O Orçamento total, que inclui despesas financeiras como juros e rolagem da dívida, chega a R$ 7,4491 trilhões. O texto ainda está em análise no Congresso e os valores podem mudar até a votação final, prevista para dezembro de 2026. A Conof analisou o texto que o Executivo entregou ao Legislativo.
Dos R$ 283,2 bilhões discricionários, R$ 61,2 bilhões vão para emendas de parlamentares e para o funcionamento de outros Poderes, do MPU e da DPU. O Executivo programa os outros R$ 222,1 bilhões, mas esse dinheiro não está livre: custeia programas em andamento, investimentos e a estrutura necessária aos ministérios e serviços públicos. Alterar despesas obrigatórias exige mudanças na lei ou na Constituição, com aval do Congresso.
Destino dos recursos
Haroldo da Silva, que comanda o Corecon-SP, observa que essa parcela não equivale a gasto dispensável. Ela banca desde investimentos até a manutenção de universidades, órgãos de fiscalização, ciência, tecnologia e diversos serviços públicos.
O g1 destaca que promessas eleitorais pressionam o Orçamento de formas distintas. Obras, compra de equipamentos, subsídios e ampliação de serviços disputam a fatia de decisão do governo. Benefícios permanentes, reajustes e novas contratações ampliam gastos obrigatórios, enquanto reduções de impostos diminuem a arrecadação. Parte das propostas já conta com recursos federais previstos, mas isso não significa verba reservada para as ampliações prometidas.
Propostas dos candidatos
Lula (PT) defende manter ou expandir Bolsa Família, Pé-de-Meia e Minha Casa, Minha Vida, além de reforçar universidades, institutos federais e o SUS. O documento cita o Novo PAC, a Nova Indústria Brasil e o Plano de Transformação Ecológica. Como várias políticas já existem, há previsão para mantê-las; ampliar beneficiários ou investimentos pode exigir recursos adicionais.
Ronaldo Caiado (PSD) propõe um plano nacional de infraestrutura para 30 anos, a retomada de obras paradas e o Pacto Nordeste 2030, com meta de levar o investimento total da economia a perto de 25% do PIB, somando recursos públicos e privados. Augusto Cury (Avante) lista corredores estratégicos de exportação, expansão do ensino técnico, mais subsídio ao seguro rural e o Brasil Proteína 10.000.
Romeu Zema (Novo) sugere pagar R$ 5 mil às famílias que saírem do Bolsa Família depois de superar o teto de renda, criar o Sócios do Brasil — R$ 1 mil no nascimento, com saque aos 18 anos —, fazer reforma da Previdência, privatizar estatais e reduzir ministérios. Renan Santos (Missão) aposta na PEC do Equilíbrio Fiscal, à qual atribui economia de R$ 1,1 trilhão até 2031, e condiciona mais investimentos em infraestrutura à aprovação de reformas.
De acordo com o g1, os programas não informam o custo total das medidas nem quanto seria gasto em 2027, o que impede saber o que caberia no Orçamento sem novas receitas ou remanejamentos. A economia citada por Ren Santos é uma projeção para o período, não um valor disponível já no primeiro ano.





