juros futuros em queda na curva de Depósitos Interfinanceiros
Curva de juros futuros acompanhada pelo mercado financeiro

As taxas dos contratos de Depósito Interfinanceiro (DI) fecharam em queda na segunda-feira (17), mas devolveram parte das perdas ao longo da tarde, em um pregão marcado pela combinação entre a atividade econômica mais fraca que o esperado no Brasil e a alta do petróleo no exterior. O movimento resumiu a disputa entre sinais domésticos de desaceleração e o risco de novos choques de oferta sobre a inflação.

Na primeira etapa do pregão, os juros futuros recuaram após a divulgação do Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br) de junho, que caiu 0,64%. A mediana das estimativas do mercado apontava baixa de 0,50%, o que levou as taxas a ceder até 10 pontos-base em diversos vértices da curva.

Ao longo da tarde, porém, a valorização do petróleo alterou parte desse movimento. O Brent encerrou o dia em alta de 2,65%, negociado a US$ 90,87 o barril, em meio à ausência de uma solução negociada para o tráfego de navios no Estreito de Ormuz. Segundo o mercado, a alta ganhou força após ameaças do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de ampliar o conflito no Oriente Médio.

Com o avanço do petróleo, os rendimentos dos Treasuries ampliaram ganhos e o movimento refletiu na curva brasileira. Ainda assim, os contratos domésticos terminaram abaixo do ajuste anterior. O DI para janeiro de 2027 caiu de 13,777% para 13,760%. O contrato para janeiro de 2029 recuou de 14,389% para 14,310%, enquanto o DI para janeiro de 2031 cedeu de 14,655% para 14,570%.

Leitura do mercado sobre atividade e inflação

Ricardo Espindola, superintendente de crédito e renda fixa da Porto Asset, afirmou que o IBC-Br surpreendeu para baixo e citou uma percepção mais disseminada de desaceleração da atividade à frente, também associada a eventos e dados de crédito. A leitura reforça a aposta predominante em afrouxamento monetário na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), em setembro.

Na precificação para o Copom, o mercado segue concentrado em um corte de 0,25 ponto percentual na Selic em setembro. As opções indicam cerca de 77% de probabilidade para esse movimento, enquanto a chance de manutenção da taxa em 14% ao ano ficou em 22%.

Petróleo como contraponto ao movimento doméstico

Leonel Oliveira Mattos, analista de inteligência de mercado da StoneX, destacou que o balanço de riscos para a inflação inclui fatores domésticos, mas também riscos de choque de oferta, entre eles os preços do petróleo. O alerta ganha relevância diante da escalada das tensões geopolíticas no Oriente Médio e da possibilidade de restrições à passagem de navios por uma das rotas mais sensíveis do comércio global de energia.

O pregão terminou com a curva de juros em queda frente ao ajuste anterior, sustentada pelos dados mais fracos de atividade, embora a valorização do petróleo tenha reduzido o espaço para recuos mais intensos nas taxas futuras. O resultado sintetiza o cenário de juros no Brasil: a economia dá sinais de arrefecimento, mas o risco externo sobre a inflação segue no radar das decisões do Banco Central.