Uma maioria dos economistas, gestores de fundos e estrategistas ouvidos pela sondagem mais recente da CNBC sobre o Federal Reserve passou a projetar pelo menos dois aumentos de juros nos próximos 12 meses, e um terço desse grupo aposta em três ou mais elevações. Segundo a CNBC, a fatia que espera ao menos uma alta subiu de 46% na edição anterior para 86%, e 55% preveem mais de um aumento. Ao todo, 29 profissionais responderam ao levantamento.

A revisão de expectativas veio depois de um discurso de tom duro do presidente do Fed, Kevin Warsh, em Jackson Hole, de novos saltos do petróleo e de uma inflação que não arrefeceu. Cerca de três quartos dos entrevistados, segundo a CNBC, avaliam que o problema inflacionário é mais amplo do que os preços de energia. As projeções para o CPI subiram para perto de 3,5% neste ano e para 2,85% no próximo ano. A maioria acredita que o Estreito de Ormuz seguirá fechado por pelo menos mais um mês e que o petróleo ficará caro por mais de seis meses.

“Nada nos dados sugere que a inflação voltará à meta em breve”, disse Neil Dutta, chefe de pesquisa econômica da Renaissance Macro Research. Kathy Bostjancic, economista-chefe para os EUA da Nationwide, afirmou que a nova escalada dos preços de petróleo, gasolina e diesel alimenta o receio de contaminação de outros bens e serviços.

Crescimento e mercados

Apesar da mudança nas apostas de juros, o quadro de atividade pouco se alterou. A probabilidade média atribuída a uma recessão nos próximos 12 meses ficou em 29%, ligeiramente acima do normal. O PIB é estimado em cerca de 2,25% neste ano e no próximo, ante 2,1% no ano passado, e a taxa de desemprego deve ficar em torno de 4,25%. Para as ações, o S&P 500 deve terminar o ano no nível atual e avançar 8% no próximo ano, a 8.274 pontos.

Avaliação de Warsh e riscos

As opiniões sobre a comunicação e a independência de Warsh são majoritariamente positivas. Para 59%, ele deu informação suficiente sobre suas visões de política monetária; 69% dizem que a pressão do governo americano por juros menores não terá efeito na reunião deste mês; e 66% consideram sua condução da política muito ou em grande parte independente, queda de 9 pontos na comparação com a sondagem anterior. Apenas 31% afirmam que o Fed “fala demais”, ante 68% em julho.

Inflação elevada, a guerra do Irã e o petróleo caro foram apontados como os três principais riscos à expansão. Outros 61% veem algum risco de mercado nas disputas judiciais ligadas às eleições de meio de mandato. A maior fatia, 46%, projeta democratas controlando a Câmara e republicanos mantendo o Senado; 29% preveem controle total dos democratas no Congresso.