
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, defendeu nesta segunda-feira (17) que o governo adote o mesmo rigor contra a irresponsabilidade fiscal que historicamente aplicou no combate à inflação alta. A declaração foi dada durante a 27ª Conferência Anual Santander, em São Paulo.
“A mesma intolerância que nós temos para a inflação alta, a gente tem que ter com a irresponsabilidade fiscal”, afirmou. Para Durigan, o atual cenário político — marcado por divisão de poderes, polarização social e dificuldade de construção de consenso — torna ainda mais essencial a defesa da bandeira da responsabilidade fiscal por todos os agentes públicos.
Governo tenta barrar medidas sem fonte de receita
O ministro afirmou que o governo tem atuado para levar ao debate público, no Congresso, nos tribunais e entre governadores e prefeitos, a necessidade de evitar medidas sem fonte de receita e de barrar a ampliação de privilégios. Durigan comparou sua rotina em Brasília à de um goleiro que defende o debate público nacional sobre a situação fiscal e sobre a importância de não criar despesas sem lastro orçamentário.
Ele avaliou ainda que a discussão fiscal só se sustenta em um ambiente institucional previsível, no qual seja possível fazer projeções de longo prazo. A previsibilidade, segundo o ministro, é condição para que o país recupere a confiança dos agentes econômicos e mantenha a trajetória de ajuste das contas públicas.
Juros civilizados como caminho para o crédito
Durigan também afirmou que um dos caminhos para enfrentar a questão fiscal e destravar o crédito no Brasil é alcançar os chamados “juros civilizados”. O ministro disse sentir esse desafio na prática ao vender títulos, nas empresas e no mercado de capitais.
“Nós vamos ter que endereçar a questão dos juros”, disse. Na visão dele, o lado fiscal é um dos caminhos centrais para dar tranquilidade ao mercado, na linha do que o governo já enviou ao Congresso. “Se a gente pegar todas as Leis de Diretrizes Orçamentárias desde 2023, temos projetado um caminho para o superávit fiscal, desde sempre”, acrescentou.
Trajetória fiscal e dívida pública
O ministro reiterou que o governo vai perseguir a trajetória de resultado fiscal prevista no Projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias (PLDO). “Nós praticamente zeramos o déficit público”, disse. Ele ressaltou, porém, que ainda é necessário estabilizar a trajetória da dívida, embora o resultado primário venha contribuindo para a previsibilidade desde 2024.





