DIs recuam com IBC-Br e reforço para cortes na Selic

As taxas dos contratos de Depósito Interfinanceiro (DI) fecharam a sessão desta segunda-feira em queda, em um pregão dedicado à leitura do IBC-Br e a ajustes de posição depois da rodada de altas que marcou a maior parte da semana anterior. No segmento intermediário da curva de juros futuros, o vencimento para janeiro de 2028 recuou para 13,99%, contra o ajuste de 14,035% da sessão passada. Na ponta longa, a taxa para janeiro de 2035 passou de 14,749% para 14,745%, variação de menor intensidade que a observada nos vencimentos intermediários.

A sessão colocou a macroeconomia brasileira sob nova inspeção do mercado, com o boletim Focus divulgado antes da abertura e a prévia do PIB calculada pelo Banco Central no centro das atenções. Na avaliação dos agentes, o conjunto de indicadores reforça o argumento de que o Copom ainda tem espaço para ampliar o afrouxamento monetário além do atualmente precificado na curva.

IBC-Br corrobora leitura de espaço para afrouxamento monetário

O Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), sinalizador do Produto Interno Bruto (PIB), avançou 0,2% no segundo trimestre de 2026 na comparação com os três meses imediatamente anteriores. O desempenho positivo do período, no entanto, não apagou a fraqueza de junho, quando o indicador recuou 0,6% na margem, em dados com ajuste sazonal, resultado pior que a expectativa de queda de 0,53% apontada em levantamento com economistas.

Para o economista sênior da Nomad, Vitor Kayo, a leitura reforça a avaliação de que o Comitê de Política Monetária (Copom) ainda pode cortar juros além do que está embutido na precificação atual. O movimento da atividade econômica no fim do segundo trimestre é visto como um dos sinais relevantes para calibrar o ritmo do ciclo de afrouxamento, em meio ao debate sobre a velocidade de queda da Selic.

Focus combina inflação de 2027 mais alta e dólar estável

O levantamento Focus, que reúne expectativas de analistas consultados pelo Banco Central, foi divulgado antes da abertura dos negócios e trouxe revisões relevantes para o cenário de preços. As projeções para a economia brasileira em 2027 foram ajustadas, com inflação maior e crescimento mais baixo: a expectativa para o IPCA subiu de 4,22% para 4,24%, enquanto a estimativa para 2026 permaneceu em 5,02%, mesmo com a redução da expectativa para os preços administrados, que caiu de 4,91% para 4,70%.

No câmbio, a mediana para o dólar no fim de 2026 continuou em R$ 5,20 pela nona semana consecutiva. Para o encerramento de 2027, a previsão passou de R$ 5,28 para R$ 5,29, movimento que ocorre depois de o mesmo horizonte ser estimado em R$ 5,28 quatro semanas atrás. Na visão de Kayo, o Focus trouxe um recado misto: a inflação em 12 meses e a projeção de 2027 subiram, mas a Selic esperada para o fim do ano seguiu em 13,75%, o que sugere apenas mais um corte no horizonte imediato.

Galípolo reafirma política monetária contracionista e papel do cenário local

Na parte da tarde, os investidores acompanharam a fala do presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, durante conferência do Santander. Ele afirmou que o ciclo atual da política monetária é explicado mais por questões internas do Brasil do que por temas globais, destacando que a demanda doméstica vem crescendo em ritmo superior ao da oferta.

Galípolo reforçou que o BC atua para manter os juros em patamar contracionista, em meio ao esforço de equilibrar essas duas forças. A sinalização endossou o tom cauteloso da comunicação do comitê e manteve acesa a avaliação do mercado sobre os próximos passos do ciclo, em um momento em que a curva a termo ainda procura convergência para a trajetória da Selic.

Cruzamento de sinais mantém precificação atenta ao Copom

O desenho da curva a termo nesta segunda-feira trouxe a síntese do confronto entre dois vetores: de um lado, os dados de atividade mais fracos, que reforçam a aposta na continuidade do afrouxamento; de outro, a alta na projeção de inflação para 2027, que sustenta o tom cauteloso e limita quedas mais acentuadas nos vencimentos longos.

Foi nesse ambiente que o DI para janeiro de 2028 passou a operar em 13,99% e a taxa para janeiro de 2035 cedeu a 14,745%. O desfecho da sessão deixou a curva em rota de acomodação, com os próximos passos do mercado de juros dependendo dos dados de atividade, da inflação e do desenrolar da campanha eleitoral.

Eleições e pesquisas passam a disputar espaço com o Copom

O noticiário político também entrou no radar, com o início da campanha eleitoral oficial. No domingo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva abriu sua campanha à reeleição com o desafio de conquistar uma geração de trabalhadores pouco conectada à estrutura sindical e ao chão de fábrica, bases históricas do Partido dos Trabalhadores (PT). O senador Flávio Bolsonaro, também candidato à Presidência, prometeu no primeiro comício oficial um “tesouraço” nas contas públicas, além de mais empregos e melhora na segurança.

A pesquisa BTG/Nexus divulgada nesta segunda-feira mostrou Lula e Flávio em empate técnico nas intenções de voto para um eventual segundo turno, com o atual presidente numericamente à frente. Com a campanha em curso, o noticiário político tende a ganhar peso crescente na formação de preços dos ativos locais nos próximos meses.