A taxa de desemprego do Reino Unido ficou em 4,9% nos três meses até julho, segundo o ONS. O dado, divulgado nesta terça-feira (15), repete o trimestre anterior, fica em linha com previsões de economistas e segue perto da máxima em cinco anos.
Outros sinais apontam perda de força no mercado de trabalho. O número de trabalhadores em folhas de pagamento voltou a cair, com destaque para varejo e hospitalidade. As vagas abertas seguem no menor patamar em mais de uma década, excluindo a pandemia.
Yael Selfin, economista da KPMG no Reino Unido, afirmou que a incerteza econômica tem feito empresas postergarem contratações. Segundo ela, as companhias relutam em abrir postos e preferem aguardar antes de avançar.
Os salários sem bônus cresceram 3,5% em base anual. A taxa ficou estável na comparação anterior e coincidiu com estimativas. Isso interessa ao BoE porque sinaliza a intensidade das pressões inflacionárias.
No campo da macroeconomia, a combinação de contratações fracas com salários estáveis pode diminuir a necessidade de aperto monetário mais duro, apesar do risco de aceleração dos preços. O BoE deve manter a taxa básica em 3,75% na quinta-feira. As apostas em novas altas cresceram com a piora das perspectivas de inflação.
Antes da decisão, investidores acompanham o índice de preços ao consumidor de agosto, previsto para quarta-feira. A expectativa é de inflação anual acima de 3%, depois de 2,9% em julho. Custos de energia estão entre as principais pressões, com a guerra no Irã prolongada. O núcleo deve ficar em 2,6%, indicando pouca disseminação do choque energético.
Andrew Wishart, economista do Berenberg, avalia que o mercado de trabalho está fraco demais para que os salários acompanhem a aceleração dos preços ao consumidor. Ele projeta apenas uma alta adicional do BoE, enquanto investidores precificam quatro elevações.





