
O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central inicia nesta quarta-feira (29) sua terceira reunião de 2026 para definir o futuro da taxa Selic. O encontro ocorre em um cenário de forte pressão inflacionária global, impulsionada pelo conflito no Oriente Médio, que tem elevado os preços dos combustíveis e alimentos no Brasil.
Copom reduz a taxa Selic para 14,50% a.a. – 278ª reunião – abril 2026
Inflação acima do teto da meta
O comportamento da inflação brasileira voltou a preocupar o mercado financeiro. A prévia da inflação oficial, medida pelo IPCA-15, acelerou para 0,89% em abril, puxada pela alta nos preços de bens essenciais. No acumulado de 12 meses, o índice atingiu 4,37%, aproximando-se perigosamente do teto da meta contínua.
As projeções do boletim Focus para o fechamento de 2026 também foram revisadas para cima, chegando a 4,86%. Esse valor supera o limite superior de tolerância de 4,5% estabelecido pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), que tem como meta central o patamar de 3%.
Desfalques na diretoria do Banco Central
A reunião deste mês ocorre com um quórum reduzido. O colegiado estará desfalcado devido ao término dos mandatos dos diretores de Organização do Sistema Financeiro e de Política Econômica no final de 2025, cujos substitutos ainda não foram indicados pelo Governo Federal ao Congresso.
Além disso, o Banco Central confirmou a ausência temporária do diretor de Administração, Rodrigo Teixeira, por motivos pessoais.
Expectativas para a taxa Selic
Atualmente fixada em 14,75% ao ano, a Selic permaneceu em 15% durante a maior parte do último ano, atingindo seu nível mais alto em quase duas décadas. Apesar da pressão do petróleo e da aceleração dos preços internos, a maioria dos analistas de mercado ainda aposta em uma redução residual de juros nesta quarta-feira.
Na última ata divulgada, o Copom havia retirado a indicação de cortes futuros, adotando uma postura de maior cautela diante da incerteza sobre a magnitude do ciclo de ajustes e a volatilidade do cenário internacional.





