
Em decisão amplamente antecipada pelo mercado financeiro, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central anunciou nesta quarta-feira (29) o corte de 0,25 ponto percentual na taxa básica de juros. Com o ajuste, a Selic passa de 14,75% para 14,50% ao ano, consolidando o segundo recuo consecutivo no atual ciclo de afrouxamento.
Convergência com as projeções do mercado
O corte de 0,25% já estava precificado pela curva de juros e era esperado pela maioria dos analistas consultados pelo Boletim Focus. A redução ocorre em um momento em que a autoridade monetária busca equilibrar o controle da inflação com a necessidade de evitar uma desaceleração excessiva da economia brasileira.
Mesmo com a prévia da inflação oficial (IPCA-15) registrando 0,89% em abril e acumulando 4,37% em 12 meses, o colegiado entendeu que o patamar anterior da Selic era excessivamente restritivo. A taxa de 14,50% ainda mantém os juros reais em níveis elevados, o que, na visão do BC, é suficiente para seguir combatendo as expectativas inflacionárias de 4,86% para o fim do ano.
Desfalques e cautela no comunicado
A decisão foi tomada por um comitê ainda desfalcado. Sem a indicação de substitutos para as diretorias de Organização do Sistema Financeiro e de Política Econômica, cujos mandatos expiraram em 2025, o Copom operou com quórum reduzido. Além disso, a ausência pontual do diretor de Administração, Rodrigo Teixeira, reforçou o clima de transição no órgão.
No comunicado que acompanhou a decisão, o Banco Central manteve o tom de cautela. A autoridade destacou que o cenário internacional, marcado pela volatilidade do petróleo e pelos conflitos no Oriente Médio, exige uma conduta “austera” e que não há um compromisso prévio com novos cortes nas próximas reuniões.
Perspectivas para os próximos meses
Com a Selic em 14,50%, o foco dos investidores se volta agora para a ata da reunião, que será divulgada na próxima semana. O mercado buscará pistas sobre se este foi o último corte do semestre ou se ainda há espaço para ajustes residuais, caso o dólar se estabilize e a inflação de alimentos dê sinais de trégua.





