Segundo levantamento do Visual Capitalist, com dados do BIS Data Portal referentes ao primeiro ou segundo trimestre de 2026, os balanços de 20 grandes bancos centrais e centros financeiros foram comparados ao tamanho das economias que supervisionam. A métrica reúne ouro, reservas internacionais, créditos contra governos e instituições financeiras e ativos fixos e não financeiros, ponderados pelo Produto Interno Bruto (PIB) de cada jurisdição. O resultado revela disparidades estruturais profundas entre praças financeiras globais e economias de grande porte.
Um pelotão de quatro e um segundo bloco bem abaixo
Hong Kong lidera, com ativos equivalentes a 130,1% do PIB, seguida pela Suíça (102,5%), por Singapura (95,1%) e pelo Japão (94,4%). Essas quatro economias formam um grupo isolado: todas mantêm balanços que superam 90% do PIB, patamar muito distante do restante da lista.
Em um segundo escalão aparecem a Tailândia (55,3%), os Emirados Árabes Unidos (47,1%) e a Arábia Saudita (40,6%). Logo atrás vêm a zona do euro (39,0%), o Brasil (38,1%) e Israel (37,6%) — separados por menos de dois pontos percentuais —, seguidos por Polônia (30,5%), Índia (26,1%), Reino Unido (25,8%) e Coreia do Sul (21,3%).
Já México (14,7%) e Austrália (12,9%) registram os balanços proporcionalmente menores. A razão entre ativos e PIB não mede força ou fraqueza econômica: ela apenas contextualiza a escala da autoridade monetária diante da atividade doméstica.
Hong Kong: um sistema monetário peculiar
A posição de Hong Kong decorre de seu papel como centro financeiro internacional e das particularidades de seu regime cambial. O sistema de câmbio vinculado obriga a Hong Kong Monetary Authority a manter lastro expressivo em moeda estrangeira, o que amplia o balanço em relação ao PIB do território.
A economia também abriga um setor financeiro desproporcionalmente grande. Segundo a KPMG, os bancos licenciados locais somavam HK$26 trilhões em ativos totais no fim de 2025, alta de 7,1% na comparação anual — volume que ajuda a explicar a escala do regulador monetário.
China, Estados Unidos e o que a comparação não diz
As duas maiores economias do mundo em taxas de câmbio de mercado ocupam posições intermediárias e baixas: a China surge em 11º lugar, com 34,4%, enquanto os Estados Unidos aparecem em 16º, com 21,2%. A diferença é relevante, mas não deve ser lida como medida de influência monetária.
O dólar continua central para as finanças globais, e a escala chinesa confere ao país peso considerável sobre manufatura, commodities e comércio. Os balanços dos bancos centrais, além disso, mudam ao longo do tempo, conforme as autoridades acumulam reservas, compram títulos ou desfazem intervenções anteriores.
A expansão desses balanços foi marcante nos anos que seguiram a crise financeira de 2008, quando as autoridades monetárias reagiram a choques econômicos e de mercado sucessivos. Você pode acompanhar as inovações e as principais notícias sobre economia em tempo real aqui na SpaceMoney.





