A Commodity Futures Trading Commission (CFTC) determinou que a Kalshi continue oferecendo seus mercados de previsão em Nova York, mesmo após o processo movido pela procuradoria estadual do estado. A ordem, anunciada na terça-feira, 11 de agosto, utiliza o poder de emergência do órgão federal para garantir a continuidade das operações da plataforma enquanto a disputa judicial sobre a legalidade desses contratos não é resolvida.

O caso acirra o confronto entre a CFTC e os reguladores estaduais sobre a natureza dos mercados de previsão, sobretudo os vinculados a eventos esportivos. Nova York considera que essas plataformas operam como casas de apostas e, portanto, estariam sujeitas à legislação local, enquanto o regulador federal afirma que os contratos negociados são swaps de competência da União.

O que motivou a ação de Nova York contra a Kalshi

No dia 31 de julho, a procuradora-geral de Nova York, Letitia James, ingressou com uma ação judicial para impedir que a Kalshi atuasse no estado com mercados de previsão ligados a esportes. O pedido foi apresentado na esteira de uma decisão de um juiz federal relacionada ao setor, conforme documentos oficiais. A procuradoria entende que os produtos oferecidos pela plataforma se enquadram nas leis estaduais de jogos de azar, que restringem apostas esportivas a canais autorizados.

A Kalshi, por sua vez, recorreu à CFTC em busca de proteção, argumentando que a ação estadual ameaça inviabilizar sua operação em um dos maiores mercados financeiros do país. A resposta do regulador federal veio dias depois, com a ordem de emergência que manda a empresa manter seus serviços ativos em Nova York.

CFTC reafirma jurisdição federal sobre derivativos de eventos

Em comunicado, a CFTC destacou que o Congresso não pretendeu que as bolsas de derivativos fossem submetidas a um mosaico de leis estaduais de jogos de azar. O presidente do órgão, Mike Selig, afirmou que os mercados de previsão são bolsas financeiras que oferecem instrumentos financeiros e operam em âmbito interestadual, conectando compradores e vendedores de diferentes estados e contando com a intermediação de uma câmara de compensação.

Selig também classificou a ação de Nova York como uma tentativa de fazer os contratos de eventos definharem sob uma “cortina de ferro” de leis estaduais de jogos, antes que os tribunais tenham a chance de deliberar sobre o mérito da questão. Para o dirigente, o estado não teria legitimidade para regular mercados financeiros interestaduais, o que reforça a necessidade de uma supervisão centralizada.

O que muda para a Kalshi enquanto a disputa segue nos tribunais

A ordem de emergência dá à Kalshi a segurança jurídica necessária para manter suas atividades em Nova York durante o andamento do processo. A plataforma, que já havia solicitado auxílio à CFTC após a ação estadual, poderá continuar listando contratos de eventos esportivos sem interrupção, ao menos até que haja uma decisão definitiva sobre a competência regulatória.

O imbróglio, no entanto, está longe de um desfecho. A disputa entre o estado e o regulador federal pode levar a uma revisão judicial sobre os limites do poder de cada esfera, com potencial impacto para todo o setor de mercados de previsão nos Estados Unidos. Caso Nova York prevaleça, outras jurisdições estaduais podem se sentir encorajadas a adotar medidas semelhantes, fragmentando o ambiente regulatório.

Mercados de previsão e o embate regulatório nos Estados Unidos

O conflito entre a CFTC e Nova York é apenas o capítulo mais recente de um debate que ganhou força com a expansão das plataformas de previsão. Enquanto alguns estados enxergam esses produtos como uma forma de aposta, o regulador federal os classifica como derivativos sujeitos à sua supervisão. A divergência já havia levado a CFTC a processar Nova York anteriormente, evidenciando a falta de consenso sobre o tema.

Para os participantes do mercado, a decisão da CFTC reduz a incerteza imediata, mas não elimina o risco regulatório de longo prazo. A definição sobre quem pode regular os mercados de previsão dependerá das próximas etapas judiciais, que devem estabelecer precedentes importantes para a indústria de derivativos de eventos nos próximos anos.