
O Banco Central do Brasil divulgou nesta quarta-feira (2) a ata da 66ª reunião do Comitê de Estabilidade Financeira (Comef), realizada nos dias 25 e 26 de agosto, e voltou a acender um alerta para o uso de criptomoedas na movimentação e na ocultação de recursos ilícitos no Sistema Financeiro Nacional (SFN). O documento cita a crescente sofisticação dos mecanismos usados por criminosos e menciona grandes crimes cometidos contra o SFN, incluindo o ataque multimilionário contra a C&M Software em 2025.
A avaliação do colegiado ocorre em um cenário em que a imutabilidade das transações em blockchain passou a ser explorada para evitar o congelamento de fundos e dificultar o rastreamento de valores. Na ata, o comitê afirma que “nos casos analisados, ativos virtuais foram utilizados como principal instrumento de escoamento dos recursos oriundos dessas fraudes”. O texto também cita a ocorrência de fraudes financeiras associadas a incidentes cibernéticos relevantes registrados no SFN em 2026.
Riscos em recebíveis e BaaS
Além das criptomoedas, o Comef examinou incidentes recentes no ecossistema de recebíveis de arranjos de pagamento e riscos operacionais ligados ao Banking as a Service (BaaS). O comitê ressaltou que os agentes desses ecossistemas precisam reforçar governança, gestão de riscos, controles internos, prevenção a fraudes e segurança operacional para reduzir fragilidades observadas.
Na avaliação do colegiado, o Banco Central afirmou que seguirá intensificando as ações regulatórias e de supervisão para elevar os padrões de segurança, governança e gestão de riscos nesses ambientes, preservando a integridade operacional e o funcionamento adequado dos mercados financeiros.
Monitoramento do mercado cripto
Dias antes da reunião do Comef, o Banco Central anunciou a criação de um sistema para monitorar corretoras de criptomoedas e detectar fraudes. Segundo o texto divulgado pela Hypernative, empresa que estaria sendo contratada para realizar esse trabalho, a solução prevê um mecanismo para identificação de anomalias nos volumes de negociação no mercado de ativos digitais.
A ata também reflete um ambiente macroeconômico mais cauteloso. O comitê avaliou as condições financeiras globais, as tensões geopolíticas, a desaceleração do sistema de crédito bancário e os níveis elevados de endividamento das famílias brasileiras.





