Uma cooperação internacional está mudando os rumos da viticultura em Jundiaí, no interior de São Paulo. Especialistas da Escola de Enologia de Conegliano, a mais antiga da Itália, estão na cidade para transferir conhecimento técnico e elevar o padrão das vinícolas locais, com foco na safra de inverno que se aproxima.
Estrutura produtiva impulsiona parceria
O município reúne uma cadeia produtiva expressiva, com colheitas tanto no verão quanto no inverno. Ao todo, a produção anual de uvas chega a 40.000 toneladas, volume que abastece 21 vinícolas industriais e artesanais na região.
Essas unidades transformam a matéria-prima em um total de 8,7 milhões de litros de vinho por ano. O número reforça a importância econômica da atividade e justifica a busca por aprimoramento técnico com referências internacionais.
Intercâmbio com a Itália e transferência de tecnologia
A colaboração entre Jundiaí e a instituição italiana é estruturada em visitas anuais e experimentos conjuntos. Os professores europeus acompanham de perto os processos locais e levam inovações diretamente aos produtores, em um fluxo contínuo de troca de experiências.
Eduardo Alvarez, professor responsável pelo Centro de Enologia da Etec Benedito Storani, explica que a pesquisa concentra esforços no aperfeiçoamento do controle de qualidade. O objetivo é que as descobertas sejam aplicadas imediatamente nas vinícolas da cidade.
pH do vinho é o alvo da pesquisa
Um dos focos centrais do projeto é o ajuste do potencial hidrogeniônico, conhecido como pH. Esse indicador interfere diretamente no sabor, na cor e na durabilidade da bebida, além de ser fundamental para a estabilidade microbiológica.
Os especialistas recomendam que o vinho mantenha o pH em torno de 3,0, nunca ultrapassando 3,4, em combinação com o teor alcoólico adequado. Esses parâmetros evitam o desenvolvimento de microrganismos indesejados e garantem a conservação do produto.
Método de correção na prática
Durante as atividades na Etec, o enólogo Felipe de Jesus Piazzaroli mostrou como funciona o processo. Depois da fermentação e clarificação, o vinho é ajustado para um pH entre 3,2 e 3,3 e volta ao tanque para concluir a fermentação.
A técnica preserva o aroma e o sabor originais da uva, reforçando a identidade do vinho e sua ligação com a região produtora. Esse cuidado é essencial para conquistar consumidores exigentes e ampliar o valor agregado do produto.
Inovação inédita no Brasil
Os testes práticos conduzidos pelo professor Luigi, da Escola de Conegliano, representam a primeira aplicação desse método em território brasileiro. A novidade permite corrigir a acidez e eliminar metais pesados e outras substâncias que podem desestabilizar a bebida.
A chegada dessa tecnologia ocorre em um momento estratégico para os produtores, que se preparam para a safra de inverno. A expectativa é que os primeiros lotes elaborados com o novo protocolo apresentem qualidade superior e maior regularidade.
Efeitos no mercado e no consumidor
O investimento em tecnologia tende a gerar ganhos em cadeia para o setor vitivinícola de Jundiaí. Produtos com melhor equilíbrio e mais durabilidade ganham espaço em segmentos premium, valorizando a marca regional e abrindo novas frentes de comercialização.
Para o público final, o resultado aparece em rótulos com mais personalidade e padrão consistente. Para a economia local, a modernização das vinícolas pode atrair investimentos, gerar empregos e projetar Jundiaí em mercados nacionais e internacionais. Você pode acompanhar os desdobramentos e as principais notícias sobre economia em tempo real aqui na SpaceMoney.
Perspectivas com a safra de inverno
Com a aproximação da safra de inverno, os produtores terão a primeira oportunidade de testar em larga escala as técnicas apresentadas. O acompanhamento dos resultados será decisivo para consolidar o conhecimento e ajustar os procedimentos ao longo do ciclo.
A parceria com uma das escolas de enologia mais tradicionais do mundo projeta um novo patamar para a viticultura de Jundiaí. Ao combinar o potencial produtivo do município com o saber europeu, a região pode se firmar como referência em qualidade no cenário brasileiro.





