
O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) registrou alta de 0,58% em maio, desacelerando em relação ao avanço de 0,67% de abril, mas superando a expectativa mediana do mercado, que projetava 0,55%. Os dados foram divulgados pelo IBGE e mostram que, no acumulado em 12 meses, a inflação oficial saltou de 4,39% para 4,72%, pressionando o cenário de curto prazo para a política monetária. No ano, o IPCA acumula elevação de 3,20%, reforçando a resiliência dos preços mesmo com os cortes recentes da Selic.
A composição do índice revelou que a inflação de maio foi fortemente influenciada por itens voláteis e administrados, com destaque para o grupo Alimentação e Bebidas, que respondeu por metade do impacto total. Habitação e Saúde também contribuíram de forma relevante. Por outro lado, o grupo Transportes registrou queda, puxado pelo recuo dos combustíveis, o que evitou uma pressão ainda maior sobre o custo de vida.
Alimentos e energia sustentam pressão inflacionária
Dentro do grupo Alimentação, as altas mais expressivas vieram de produtos consumidos dentro do domicílio, como hortaliças, legumes e carnes. O avanço dos preços dos alimentos mantém a trajetória de aceleração observada nos meses anteriores e tem impacto direto no orçamento das famílias, especialmente nas classes de renda mais baixa. O IBGE destacou que itens como arroz, leite e frango também pressionaram o índice no período.
O grupo Habitação foi impactado principalmente pelo aumento da energia elétrica residencial, reflexo dos reajustes tarifários e da vigência da bandeira tarifária amarela. Esse componente dos preços administrados tem se mostrado um fator de risco para as projeções de inflação, dado que eventuais mudanças nas condições hidrológicas ou na política de preços da energia podem gerar novos choques.
Combustíveis em queda aliviam o índice
Em sentido oposto, o grupo Transportes registrou retração, puxada pela redução dos preços da gasolina, do diesel e do etanol. A queda dos combustíveis foi o principal fator de alívio na composição do IPCA de maio, compensando parcialmente as altas observadas em outros segmentos. Contudo, a redução foi menor do que o esperado por parte dos analistas, o que contribuiu para a surpresa altista do índice.
O comportamento dos combustíveis está diretamente ligado às decisões da Petrobras sobre preços de refinaria e à cotação internacional do petróleo, que tem mostrado volatilidade. A persistência de incertezas no cenário externo pode influenciar a trajetória futura desse componente.
Implicações para a política monetária e as expectativas de inflação
Para Julio Barros, economista do Banco Daycoval, o resultado de maio reforça o quadro de inflação ainda pressionada, embora a surpresa tenha vindo principalmente de itens voláteis. Ele avalia que a composição do índice mostrou melhora nos serviços, mas ainda em patamar elevado, enquanto bens industriais vieram próximos do esperado. A projeção do especialista para o IPCA no ano é de 5,1%, mantendo viés de alta.
Apesar do dado acima da mediana, a expectativa do mercado é que o Banco Central mantenha o ritmo de corte de 0,25 ponto percentual na Selic na próxima reunião do Copom, em junho. A comunicação do BC tem indicado que a trajetória de afrouxamento monetário depende da evolução das expectativas de inflação e do cenário fiscal. Você pode acompanhar os desdobramentos e as principais notícias sobre economia em tempo real aqui na SpaceMoney.
O mercado de juros futuros já precifica uma Selic terminal ligeiramente mais alta, refletindo o risco de que a inflação corrente impeça cortes adicionais mais agressivos. A ata da última reunião do Copom e os próximos dados de atividade serão fundamentais para calibrar as expectativas para os próximos meses.





