Os rendimentos dos títulos do Tesouro americano iniciaram a semana em leve baixa, enquanto investidores se posicionam para uma agenda concentrada de indicadores econômicos nos Estados Unidos. O dado mais aguardado é o núcleo do índice de preços ao consumidor (CPI) de julho, que pode influenciar diretamente a precificação da próxima reunião do Federal Reserve e, por tabela, o comportamento dos mercados globais de juros, câmbio e ações.
Na leitura das 3h58 ET, o yield da T-note de 10 anos estava em 4,652%, com queda pouco acima de 1 ponto-base. O título de 30 anos recuava cerca de 1 ponto-base, para 5,203%, enquanto a T-note de 2 anos operava praticamente estável, em 4,208%, levemente acima da linha plana. Nos vértices mais curtos da curva, o papel de 1 mês marcava 3,709%, o de 3 meses 3,818%, o de 6 meses 3,937% e o de 1 ano 4,02%. Yields e preços dos títulos se movem em direções opostas no mercado de renda fixa.
Payroll abaixo do esperado pesa nas apostas
A leve queda nos juros longos reflete o impacto do relatório de empregos não-agrícolas de julho, divulgado na semana passada. O saldo mais fraco que o esperado abalou a confiança de que o Fed precisaria elevar os juros novamente no curto prazo. Analistas do Deutsche Bank avaliaram, em nota divulgada nesta segunda-feira, que os dados reduziram a urgência para um novo aperto monetário.
Essa mudança de leitura já é visível nas probabilidades formadas pelos investidores. Segundo a ferramenta FedWatch, da CME Group, o mercado passou a precificar chance de quase 44% de elevação na reunião de setembro, ante 67% registrados na semana anterior. A queda expressiva indica que o comitê pode ter espaço para aguardar mais informações antes de se comprometer com qualquer movimento.
CPI de julho pode desempatar o cenário
O núcleo do CPI de julho, que exclui alimentos e energia por causa da volatilidade desses itens, será publicado na quarta-feira às 8h30 no horário de Washington. Para os analistas do Deutsche Bank, a leitura da inflação pode ajudar a inclinar a balança na precificação para a reunião do FOMC de setembro, dado que o indicador chega em um momento de elevado grau de incerteza sobre os próximos passos da política monetária americana.
Se o número vier pressionado, o mercado pode reforçar a aposta de manutenção da taxa pelo Fed. Se vier acima do esperado, a tendência é de reprecificação nos juros futuros, com efeitos imediatos na curva de Treasuries. A sensibilidade do mercado neste momento é alta, e qualquer surpresa estatística pode gerar movimentos relevantes nos yields.
Agenda da semana tem PPI, emprego e varejo
Na quinta-feira, a agenda econômica traz o índice de preços ao produtor (PPI) e os pedidos semanais de auxílio-desemprego. Na sexta-feira, serão conhecidos os dados de vendas no varejo de julho, além do índice preliminar de sentimento do consumidor da Universidade de Michigan.
O conjunto de indicadores será determinante para medir a resiliência da economia americana em um ambiente de juros ainda elevados. Para o mercado de Treasuries, os níveis atuais da curva sugerem que os investidores continuam exigindo prêmios relevantes nos vencimentos longos, especialmente na T-note de 30 anos, que permanece acima da marca de 5,2%. Acompanhe as principais notícias e indicadores de economia em tempo real aqui na SpaceMoney.





