
O Brasil registrou a menor taxa de desemprego para um trimestre encerrado em abril desde o início da série histórica da PNAD Contínua, em 2012. O índice recuou para 5,8% no período de fevereiro a abril de 2026, ante 6,1% no trimestre encerrado em março, segundo dados divulgados nesta quinta-feira (28) pelo IBGE. O resultado superou a mediana das estimativas do mercado, que apontava para 5,9%, e reforça um ciclo de aquecimento do mercado de trabalho com implicações diretas para a política monetária e o consumo das famílias.
Queda anual expressiva e surpresa positiva frente ao consenso
Na comparação anual, a taxa recuou 0,8 ponto percentual, já que o trimestre encerrado em abril de 2025 marcava 6,6%. O piso das estimativas dos analistas consultados pelo Broadcast era justamente 5,8%, o que significa que o dado veio no limite mais otimista do espectro projetado. Esse tipo de surpresa positiva tende a reforçar a visão de um mercado de trabalho resiliente, mesmo em um ambiente de juros elevados — fator que o Banco Central monitora com atenção ao calibrar a trajetória da Selic.
Informalidade recua e rendimento bate novo recorde
A taxa de informalidade chegou a 37,2% da população ocupada no trimestre, equivalente a 38,1 milhões de trabalhadores. O indicador caiu frente aos 37,5% do trimestre anterior e aos 38,0% do mesmo período de 2025, sinalizando melhora qualitativa na composição do emprego gerado. Já o rendimento médio real habitual dos trabalhadores atingiu R$ 3.732, novo recorde histórico, com alta de 5,3% em 12 meses — ganho real que pressiona o consumo e, por extensão, a inflação de serviços, variável sensível para o ciclo de política monetária.
Emprego formal sem variação significativa
O número de trabalhadores do setor privado com carteira assinada ficou em 39,3 milhões, sem variações expressivas tanto no trimestre quanto no acumulado do ano. A estabilidade desse segmento indica que o recuo do desemprego foi puxado por outras modalidades de ocupação, o que exige cautela na leitura do dado agregado.
Leitura para o cenário macro e ativos domésticos
Um mercado de trabalho em mínima histórica com renda em aceleração compõe um quadro de demanda doméstica aquecida. Para o cenário macroeconômico, isso significa pressão adicional sobre a inflação de serviços e menor espaço para afrouxamento monetário no curto prazo. Ativos ligados ao consumo interno tendem a se beneficiar da dinâmica de renda, enquanto papéis sensíveis a juros seguem pressionados pela perspectiva de Selic elevada por mais tempo.





