UE prepara pacote de sanções mais amplo contra a Rússia

A União Europeia planeja apresentar, nos próximos meses, uma nova rodada de sanções contra a Rússia que deve ser a mais robusta desde o início da guerra na Ucrânia. A declaração foi feita pela alta representante do bloco para Assuntos Exteriores, Kaja Kallas, em entrevista à televisão alemã nesta segunda-feira, 17. Segundo a diplomata, a medida pode ampliar em um terço o número de pessoas, empresas e organizações russas alvo de restrições, caso seja aprovada pelos Estados-membros.

Kallas argumentou que a pressão contra Moscou precisa ser intensificada até que a Rússia encerre o conflito. A chefe da diplomacia europeia também mencionou que a Europa enfrenta uma guerra híbrida promovida por Moscou, com sabotagens, espionagem e ataques cibernéticos. Ela citou, ainda, violações do espaço aéreo da Polônia e da Romênia por mísseis e drones russos, o que, em sua avaliação, testa a determinação e a defesa do bloco.

Guerra híbrida e infraestrutura energética sob ataque

O contexto de endurecimento das sanções ocorre em meio à intensificação dos ataques russos à infraestrutura energética ucraniana. A estatal Naftogaz informou que suas instalações foram alvo de 13 ataques na última semana e de quase 300 investidas desde o início do ano. Autoridades ucranianas afirmam que a estratégia de Moscou é reduzir a capacidade de resistência do país ao privar a população de eletricidade, aquecimento e água durante o inverno.

O governo ucraniano classifica a campanha como uma tentativa de transformar o inverno em arma, e há temores de que a tática seja repetida na próxima estação. Além dos ataques à infraestrutura crítica, a Ucrânia também conseguiu atingir depósitos da Wildberries, a principal varejista online da Rússia, localizados a até 2 mil quilômetros da fronteira ucraniana, demonstrando a ampliação do alcance de suas operações.

O que está em jogo na nova rodada de sanções

A proposta de Kallas prevê a inclusão de um número significativo de novos alvos na lista de sanções europeias, o que representaria um dos maiores aumentos já registrados desde o início do conflito. A expectativa é que a medida pressione economicamente setores estratégicos da Rússia e aumente o custo da guerra para o governo de Vladimir Putin.

A diplomata também reforçou que a Europa enfrenta pressões russas não apenas no campo militar, mas também em ações encobertas contra infraestruturas críticas e sistemas de informação dos países-membros. O pacote prometido para o outono do Hemisfério Norte deverá ser apresentado formalmente por Kallas, que defende uma postura mais dura do bloco diante do avanço das hostilidades.