Os preços do petróleo estenderam os ganhos nesta quinta-feira, impulsionados por novas tensões militares entre Estados Unidos e Irã, que elevam o temor de interrupções no fornecimento global da commodity. O barril do Brent para setembro avançou 1,03%, para US$ 78,82, enquanto o West Texas Intermediate (WTI) para agosto subiu 1,06%, cotado a US$ 74,29. Na véspera, as cotações já haviam saltado mais de 4%, refletindo o agravamento do cenário geopolítico no Oriente Médio.

O Comando Central dos EUA confirmou na quarta-feira que novos ataques contra o Irã foram lançados em resposta às investidas de Teerã contra navios comerciais nas proximidades do Estreito de Ormuz, uma das rotas marítimas mais estratégicas para o escoamento de petróleo. O presidente Donald Trump também sinalizou, mais cedo, que não está mais disposto a negociar um acordo com o regime iraniano, endurecendo o discurso e reduzindo as expectativas de uma solução diplomática de curto prazo.

Estreito de Ormuz sob pressão

O Estreito de Ormuz é considerado um dos gargalos energéticos mais críticos do planeta, por onde transita cerca de 20% do petróleo mundial. Segundo analistas do Saxo Bank, mesmo interrupções limitadas nessa via podem gerar impactos desproporcionais sobre os preços à vista, custos de frete e o sentimento geral do mercado. A escalada militar eleva os prêmios de risco embutidos nas cotações futuras, especialmente para contratos de curto prazo.

Especialistas em geopolítica energética destacam que a região já opera sob vigilância máxima das marinhas aliadas, mas a intensificação dos ataques iranianos a embarcações comerciais aumenta a probabilidade de fechamento temporário do estreito. Caso isso ocorra, as alternativas logísticas — como o desvio pelo Cabo da Boa Esperança — elevariam significativamente os custos e os prazos de entrega, pressionando ainda mais as margens de refinarias e distribuidoras globais.

Impacto nos mercados financeiros

A disparada do petróleo repercutiu nos mercados acionários, com ações de empresas do setor de energia registrando ganhos expressivos. As petroleiras listadas em Nova York e Londres acompanharam o movimento de alta, enquanto setores mais sensíveis ao custo de combustíveis, como aviação e logística, sofreram pressão vendedora. O índice S&P 500, por sua vez, operou volátil, com investidores reavaliando o impacto inflacionário de um petróleo mais caro sobre a economia americana.

No mercado cambial, o dólar se fortaleceu ante moedas de países importadores de petróleo, como o iene japonês e o won sul-coreano, refletindo a aversão ao risco. Já o real brasileiro, beneficiado pelo perfil exportador de petróleo do país, apresentou desempenho misto, com investidores monitorando os desdobramentos geopolíticos e a possibilidade de novos estímulos fiscais internos.

Perspectivas para as próximas semanas

Analistas do setor alertam que a trajetória dos preços do petróleo dependerá crucialmente da evolução das hostilidades no Golfo Pérsico. Se os ataques recíprocos continuarem, o Brent pode testar resistências acima de US$ 80, patamar não visto desde o início do ano. Por outro lado, qualquer sinal de trégua ou mediação internacional poderia provocar um alívio rápido, com correção técnica dos prêmios de risco.

O mercado também acompanha de perto a reunião da Opep+ prevista para o início de agosto, na qual os países produtores discutirão ajustes nas cotas de produção. Até o momento, a aliança mantém a política de aumento gradual da oferta, mas o cenário de tensão pode levar a revisões táticas. A combinação de riscos geopolíticos e fundamentos apertados de oferta e demanda sugere que a volatilidade deve permanecer elevada no curto prazo.