Os preços do petróleo dispararam nesta segunda-feira, com o Brent ultrapassando US$ 80 por barril e o WTI saltando para US$ 75,18, após o presidente Donald Trump anunciar a reinstauração de um bloqueio naval contra o Irã no Estreito de Ormuz. A medida, que visa exclusivamente embarcações iranianas e seus clientes, elevou as tensões geopolíticas a um novo patamar, com impactos imediatos sobre os mercados de commodities e a segurança energética global. O barril do Brent, referência internacional, avançou 5,3%, enquanto o WTI registrou alta equivalente, refletindo o prêmio de risco embutido nas cotações.

Bloqueio seletivo e pedágio de 20%

Em publicação em sua plataforma de mídia social, Trump afirmou que os Estados Unidos protegerão o tráfego no Estreito de Ormuz, mas exigirão reembolso equivalente a 20% de toda carga transportada. A decisão ocorre após um fim de semana de troca de ataques entre Washington e Teerã. As forças armadas dos EUA lançaram uma nova onda de bombardeios no domingo contra alvos iranianos, depois de atingir 140 alvos no sábado, conforme comunicado do Comando Central dos EUA. Os ataques foram uma resposta a uma ofensiva da Guarda Revolucionária Islâmica contra um navio porta-contêineres que transitava pelo Estreito de Ormuz.

O Irã retaliou no domingo com ataques a instalações militares americanas na Jordânia, Kuwait, Bahrein e Omã, segundo a agência estatal Tasnim. A mídia estatal iraniana informou que a Guarda Revolucionária fechou o Estreito de Ormuz até novo aviso, mas as forças dos EUA afirmam que a via permanece operacional sob proteção americana. A situação eleva o risco de uma interrupção prolongada no fluxo de petróleo, que responde por cerca de um quinto do consumo global.

Impacto nos mercados e perspectivas

A escalada militar e o bloqueio reacendem temores de uma crise de oferta no curto prazo, especialmente porque o Estreito de Ormuz é a principal artéria para o petróleo do Oriente Médio. Analistas apontam que a imposição de um pedágio de 20% sobre as cargas pode elevar ainda mais os custos logísticos e pressionar as margens das refinarias, especialmente na Ásia, maior importadora da região. O mercado de futuros já precifica uma volatilidade elevada, com opções de compra sendo negociadas a prêmios significativos para os próximos meses.

Enquanto isso, a Organização dos Países Exportadores de Petróleo e seus aliados (Opep+) monitoram a situação de perto, mas ainda não sinalizaram qualquer ajuste emergencial na produção. A capacidade ociosa do grupo, concentrada principalmente na Arábia Saudita e nos Emirados Árabes Unidos, pode ser acionada caso a interrupção persista. No entanto, a complexidade geopolítica torna qualquer intervenção incerta. Para mais análises sobre o cenário externo, acesse exterior.