Investidores de varejo disputam IPO da SpaceX apesar de valuation elevada
investidores varejo disputam IPO SpaceX apesar valuation elevada

O frenesi em torno da estreia da SpaceX na bolsa na sexta-feira, 12 de junho de 2026, atraiu uma onda de pequenos investidores que disputam alocação nas ações, mesmo com a avaliação da empresa sendo considerada por muitos como ‘estúpida’ e ‘agressiva’. A companhia de Elon Musk definiu o preço fixo de US$ 135 por ação, o que a valora em US$ 1,77 trilhão, tornando-a instantaneamente a sétima maior empresa dos EUA por capitalização de mercado, superando até mesmo a Tesla. Apesar do ceticismo, a demanda entre investidores de varejo é intensa, alimentada pela expectativa de que o entusiasmo em torno de uma das Ofertas Públicas Iniciais mais aguardadas do mundo pode superar as preocupações com o preço.

Marvin Jung, diretor regional de operações em veterinária de 51 anos, não está comprando a ação por acreditar que seja uma barganha. ‘É ultrajante. É estúpido. É irracional, para ser franco’, disse ele sobre a avaliação da SpaceX. No entanto, Jung solicitou 1.000 ações via Robinhood, apostando que a forte demanda por um nome ligado a Elon Musk e à exploração espacial superará as preocupações de valuation. ‘Acho que o hype vai continuar no curto prazo’, completou.

Alocação recorde para o varejo e entusiasmo com Elon Musk

Diferentemente de IPOs tradicionais, a SpaceX destinou uma parcela significativa de suas ações para investidores de varejo, o que explica a corrida por alocações em plataformas como Robinhood. A medida é vista como uma estratégia para democratizar o acesso ao papel e aumentar a liquidez inicial, mas também levanta questionamentos sobre a sustentabilidade da demanda quando o entusiasmo inicial diminuir.

Em entrevistas com diversos pequenos investidores, a CNBC identificou que o fator Elon Musk é um dos principais motivadores. Muitos veem a SpaceX como a ‘próxima Tesla’ e acreditam que a empresa de foguetes tem potencial de crescimento exponencial com projetos como Starship e Starlink. ‘Você não está comprando uma empresa de foguetes, está comprando o futuro da humanidade’, afirmou um investidor de 34 anos que pediu anonimato. Essa crença cega no visionário sul-africano, porém, contrasta com os números: a SpaceX terá um valuation inicial de US$ 1,77 trilhão, o que implica uma relação preço/lucro estimada em mais de 100 vezes, segundo analistas.

O dilema da valuation ‘estúpida’ e as perspectivas de curto prazo

A avaliação da SpaceX é alvo de intenso debate em Wall Street. Enquanto alguns fundos institucionais consideram o preço justo dado o potencial de monopólio no transporte espacial e na internet via satélite, outros veem uma bolha especulativa alimentada pela personalidade de Musk. ‘É um múltiplo que não se justifica por qualquer métrica tradicional. Só o hype explica’, comentou um gestor de recursos sob condição de anonimato.

Para o investidor de varejo, no entanto, o medo de ficar de fora é maior que a racionalidade financeira. Jung, mesmo chamando a valuation de ‘estúpida’, admite que pretende vender as ações rapidamente se houver um pop no primeiro dia de negociação. ‘Se subir 20%, 30%, eu realizo lucro. Não vou segurar isso para sempre’, disse. Esse comportamento de ‘flip’ é comum em IPOs de alto perfil, mas pode amplificar a volatilidade inicial do papel.

Do lado institucional, a oferta também atraiu interesse, mas com ressalvas. ‘Estamos alocando um percentual pequeno do portfólio, apenas para não ficarmos expostos a um movimento grande de alta sem participação’, afirmou o chefe de renda variável de um grande banco brasileiro. O mercado internacional acompanha atentamente a estreia da SpaceX, que pode servir de termômetro para o apetite por risco no setor aeroespacial.