O governador da Califórnia, Gavin Newsom, afirmou que não entrará na disputa presidencial de 2028 caso Kamala Harris também seja candidata. A declaração foi dada em entrevista exclusiva ao âncora Jake Tapper, da CNN, gravada durante uma pescaria no rio Bitterroot, em Montana, nas terras dos sogros do governador. O material foi divulgado em 14 de setembro de 2026.
Newsom disse não saber se a ex-vice-presidente pretende concorrer, mas garantiu que, em caso positivo, ficaria fora da corrida. Ao explicar a decisão, argumentou que um confronto entre os dois não produziria ganho algum e serviria apenas aos adversários, que, segundo ele, teriam muito a comemorar. O governador descreveu o cenário como uma destruição mútua, sem benefício coletivo.
O argumento contrário que o próprio governador reconheceu
Tapper apresentou a Newsom o histórico eleitoral de Harris: a campanha presidencial de 2019, encerrada sem avanço, e a derrota para Donald Trump em 2024. O governador admitiu que esse seria justamente o argumento usado contra uma nova candidatura dela e classificou a tese como boa e objetivamente verdadeira. Ainda assim, afirmou conhecer a base de apoiadores e o círculo próximo da ex-vice-presidente e disse que não colocaria essas pessoas em tal posição.
Ele acrescentou que democratas e republicanos torceriam por esse embate interno, mas descartou que ele venha a se concretizar. A avaliação foi feita em termos estratégicos, sem justificativas afetivas, ao longo de uma conversa que se estendeu por horas entre o rancho e as margens do rio.
Dois californianos no topo do campo democrata
Newsom e Harris são apontados como dois dos principais nomes do establishment democrata para a próxima primária presidencial. Ambos construíram a carreira política na Califórnia e figuram entre os quadros mais conhecidos do partido. Newsom, que deixa o cargo de governador neste ano, vem ampliando o perfil nacional: adotou tom mais duro nas redes sociais contra Trump, passou a dialogar com influenciadores e liderou a reação do estado a iniciativas de redistritamento em estados republicanos, por meio de uma proposta levada às urnas na Califórnia.
Harris, por sua vez, tem mantido presença pública mais discreta desde a derrota para Trump, em uma eleição marcada pela saída tardia de Joe Biden da corrida. Em julho, ela afirmou publicamente que ainda não havia decidido se concorreria em 2028.
O que ele diz sobre 2024 e o critério do porquê
Newsom contou ter considerado entrar na disputa de 2024, mas disse que não estava pronto e que não faria isso. Afirmou que, caso tivesse tentado, teria sido derrotado, porque não tinha um motivo suficientemente forte para concorrer. Para ele, candidatos precisam de uma razão clara, e disse considerar surpreendente o número de postulantes que não conseguem explicar a própria motivação.
Sobre 2028, o governador disse ainda estar em processo de avaliação e afirmou que é preciso estar à altura do momento, com honestidade sobre a própria capacidade de representar o sentimento do eleitorado.
Família como condição e o formato da entrevista
A decisão sobre uma candidatura presidencial passaria pela família. Newsom, que tem quatro filhos, afirmou que a mulher e as crianças precisariam concordar com uma eventual campanha e que, sem esse aval, o projeto não avançaria.
A conversa integra um novo formato conduzido por Tapper, sem vínculo com o noticiário do dia e dedicado a trajetórias pessoais. Além de Newsom, o âncora disse ter convidado o vice-presidente JD Vance e o secretário de Estado Marco Rubio; o senador republicano Thom Tillis, da Carolina do Norte, aceitou participar.
O peso da sinalização para 2028
A fala é o posicionamento mais explícito de Newsom até agora sobre uma eventual colisão de ambições com Harris. Ao condicionar sua entrada na corrida à decisão dela, o governador transfere à ex-vice-presidente a prioridade sobre a definição do campo democrata.
Se Harris optar por concorrer, um dos nomes mais bem posicionados do partido sai do páreo e o espaço para outros pré-candidatos se amplia. Se ela desistir, Newsom mantém aberta a porta para 2028, condicionada à avaliação sobre o próprio momento e ao aval da família.





