O escorregador de emergência do novo Air Force One foi acionado na pista da Base Conjunta Andrews, em Washington, antes da decolagem de Donald Trump nesta quarta-feira (9), em um episódio ocorrido no momento da inspeção da aeronave e que atrasou o embarque do presidente americano. Trump seguia para Dallas, no Texas, onde participa de uma convenção do Partido Republicano.
Imagens feitas por jornalistas que acompanhavam a movimentação na base mostraram o dispositivo inflado e apoiado no chão ao lado do avião. Relatos iniciais indicaram que um assistente acionou o equipamento por engano. O antigo Air Force One, de pintura azul-clara, foi posicionado na pista como aeronave reserva para a viagem.
Trump aguardou cerca de 20 minutos no helicóptero Marine One enquanto o escorregador era avaliado pela equipe técnica. O equipamento foi esvaziado e removido, e o avião decolou por volta das 15h50 (de Brasília), sem novos incidentes. A Casa Branca não acrescentou detalhes sobre as causas imediatamente após o ocorrido.
O que disse Trump
Ao falar com repórteres na pista, Trump tratou o episódio como uma checagem de rotina e não demonstrou preocupação com a segurança da aeronave. “Eles estavam fazendo uma verificação na escorregadeira, sabe, a de emergência”, disse, acrescentando que o procedimento levaria cerca de 15 minutos.
Questionado se tinha certeza de que o avião era seguro, o presidente respondeu: “Tenho, ou eu não entraria nele”. Um porta-voz da Casa Branca remeteu às declarações de Trump e não informou o que provocou a abertura do dispositivo.
Custo e impacto logístico
O acionamento de um escorregador de emergência, item conhecido como slide na aviação, tem impacto financeiro imediato. Esse tipo de ocorrência frequentemente ultrapassa US$ 30 mil (cerca de R$ 150 mil), por causa da complexidade técnica, da necessidade de substituição e do tempo em que a aeronave pode permanecer fora de operação.
No caso desta quarta-feira, o problema foi resolvido ainda no solo e o voo para Dallas foi mantido após a remoção do escorregador.
O novo Air Force One e o histórico recente
A aeronave envolvida é um derivado do Boeing 747-8, designado VC-25B, doado pelo emir do Catar a Trump. Segundo a Casa Branca, o jato serve de alternativa aos novos Air Force One encomendados à Boeing durante o primeiro mandato do presidente, cujas entregas acumulam atrasos. Na terminologia oficial, Air Force One é o indicativo de qualquer voo com o presidente a bordo, e não a designação de um modelo específico.
O novo avião passou por outros episódios de atenção neste ano. Em julho, Trump foi escondido em um caminhão de transporte de alimentos e trocou secretamente de avião por agentes do Serviço Secreto antes de embarcar em um voo de Ancara, na Turquia. A operação foi associada a um alerta de possível disparo de míssil contra o Air Force One pelo Irã. No fim daquele mês, a aeronave foi encostada para reparos, algo incomum para um avião em operação havia tão pouco tempo; havia especulação de que o jato tivesse recebido sistemas de defesa mais modernos.
Não foi o primeiro acionamento acidental de um escorregador em um avião presidencial dos Estados Unidos. Em 1994, uma ocorrência semelhante foi registrada em uma viagem de retorno do então presidente Bill Clinton da Alemanha.





