
A escalada bélica entre Irã e Israel impulsionou o petróleo a um novo pico em 2026, com o Brent para julho registrando alta de 4,87% a US$ 97,65 o barril. O West Texas Intermediate (WTI) para agosto subiu 4,48%, cotado a US$ 94,60. O movimento reflete o temor de que os ataques mútuos – incluindo mísseis iranianos contra Israel e bombardeios israelenses em alvos militares no Irã – coloquem em risco o frágil cessar-fogo e ampliem o conflito regional.
O presidente Donald Trump foi informado sobre a situação, após um míssil iraniano atingir Israel pela primeira vez desde o início da trégua. A Casa Branca confirmou que o presidente foi ‘atualizado’ e, em entrevista à Fox News, Trump afirmou que os ataques ‘certamente não vão ajudar nas negociações’. Um oficial iraniano envolvido nas conversas com Washington declarou que ‘um acordo com o presidente Trump não é mais viável neste estágio’, sinalizando um colapso diplomático.
Cenário geopolítico e reação do mercado
As Forças de Defesa de Israel anunciaram ter atingido alvos militares no oeste e centro do Irã nesta segunda-feira, horário local. Em resposta, o presidente do Parlamento iraniano, MB Ghalibaf, afirmou em uma postagem no X que o ‘bloqueio naval dos EUA e a violação dos acordos relativos ao Líbano’ constituem quebras do cessar-fogo. Segundo ele, as bases e ativos norte-americanos e do regime na região são agora ‘alvos legítimos’ devido ao bloqueio atual.
A tensão elevou o prêmio de risco geopolítico sobre as cotações do petróleo, uma vez que o Oriente Médio responde por cerca de um terço da produção global. O mercado passou a precificar uma possível interrupção no fornecimento, especialmente se o conflito se estender a países vizinhos ou afetar o Estreito de Hormuz, rota vital para o transporte de cerca de 20% do petróleo mundial.
Opep+ e oferta global
Em meio ao choque geopolítico, a Organização dos Países Exportadores de Petróleo e aliados (Opep+) decidiu aumentar as metas de produção em 188 mil barris por dia (bpd) a partir de julho. A medida, ainda que moderada, visa equilibrar o mercado diante de uma demanda global em recuperação. Analistas avaliam que o incremento é insuficiente para compensar possíveis cortes involuntários causados por sanções ou conflitos, o que sustentou a alta dos preços.
A decisão da Opep+ ocorre em um momento de incerteza sobre a oferta iraniana, já que Teerã tem sido pressionada por sanções norte-americanas. O bloqueio naval mencionado por Ghalibaf sugere uma intensificação das restrições, o que poderia retirar do mercado cerca de 1,5 milhão de bpd que o Irã vinha exportando informalmente. A combinação de risco geopolítico e oferta limitada deve manter os preços elevados no curto prazo.





