Investigadores norte-americanos recuperaram as caixas-pretas do Boeing 767-33A da Amazon Prime Air que ultrapassou a pista do Aeroporto Internacional de Miami no domingo (6) e matou cinco pessoas. Os equipamentos foram enviados para análise na sede do NTSB, em Washington, e devem ajudar a esclarecer as causas do acidente.

A presidente do Conselho Nacional de Segurança nos Transportes dos EUA (NTSB), Jennifer Homendy, confirmou que o gravador de dados de voo e o gravador de voz da cabine foram recuperados e estavam sendo levados para a sede da agência na noite desta segunda-feira (7). Em coletiva de imprensa, ela disse que piloto e copiloto sobreviveram e ainda não haviam sido entrevistados.

O que os equipamentos podem revelar

A análise das caixas-pretas ocorre em meio à investigação sobre a causa provável do acidente, ainda não determinada. O NTSB mantém uma equipe de 32 investigadores no aeroporto de Miami. A aeronave tentava pousar na Pista 30 por volta das 14h de domingo, no horário local, sob nuvens carregadas e tempestades na região, quando ultrapassou o limite da pista e avançou até uma via pública antes de parar em chamas.

Dados de rastreamento do Flightradar24 mostram que o avião ainda estava a cerca de 209 km/h quando chegou ao fim da pista. David Soucie, ex-inspetor de segurança da FAA, afirmou que uma mudança repentina da direção do vento durante o pouso pode ter dado à aeronave um vento de cauda, o que teria dificultado a redução de velocidade. Os pilotos não reportaram problemas à torre de controle antes do pouso.

Veículos atingidos e vítimas

Segundo o NTSB, o avião ultrapassou o fim da pista em cerca de 396 metros (1.300 pés) e colidiu com dois veículos. Uma van Econoline que transportava sete funcionários de uma empresa de limpeza de aeronaves foi atingida ainda na área do aeroporto; um SUV Toyota que trafegava pela Northwest 67th Avenue, além da cerca do perímetro, também foi atingido.

Homendy afirmou que as cinco pessoas que morreram estavam nos dois veículos e não deu detalhes sobre as identidades das vítimas. Outras cinco pessoas ficaram feridas, três delas em estado grave, conforme balanço das autoridades divulgado no domingo.

Investigação em curso

A presidente do NTSB descreveu a cena como de “devastação total”. Segundo ela, marcas de pneus se estendem pela pista e pela grama, com destroços espalhados pelo local. “A van Econoline está despedaçada. No SUV, dá para ver os airbags acionados”, afirmou.

As equipes seguem removendo combustível da aeronave e registrando evidências. Duas das quatro pistas do aeroporto permaneciam fechadas, e o acidente impactou a operação no feriado do Dia do Trabalho nos Estados Unidos: até as 10h de segunda, 65 voos de chegada ou partida de Miami haviam sido cancelados e cerca de 140 estavam atrasados, segundo o FlightAware.

Questionamentos sobre segurança

O acidente também reacendeu o debate sobre a ausência de sistemas de contenção no fim das pistas do aeroporto de Miami, como o EMAS. Especialistas em aviação afirmam que o equipamento, formado por blocos leves projetados para serem comprimidos sob o peso de uma aeronave, poderia ter impedido que o avião deixasse os limites do aeroporto e atingisse uma via pública. “Um aeroporto cercado por uma área tão densamente povoada precisa de um sistema de barreira de segurança no fim dessas pistas para impedir que isso aconteça novamente”, disse Mary Schiavo, ex-inspetora-geral do Departamento de Transportes dos EUA.

A Amazon afirmou estar “profundamente abalada” com a perda de cinco vidas. “Nossos mais profundos sentimentos estão com as famílias, entes queridos e todos os afetados por essa perda devastadora”, disse a porta-voz Kelly Nantel. O Boeing 767-33A, de 32 anos, era operado pela 21 Air LLC no voo entre San Juan, em Porto Rico, e Miami.