
Um robusto acordo de paz entre Estados Unidos e Irã, capaz de redesenhar o tabuleiro geopolítico do Oriente Médio e impactar diretamente os mercados globais de energia, pode ser assinado já neste domingo, na Suíça, às vésperas da reunião de cúpula do G7. A informação, corroborada pela agência Bloomberg e por veículos estatais iranianos, desencadeou uma forte onda de otimismo nas bolsas mundiais na sexta-feira, com investidores precificando o fim das sanções ao petróleo iraniano e a reabertura do Estreito de Hormuz, rota vital para 20% do tráfego marítimo de petróleo global.
De acordo com a agência Mehr News, o documento de 14 pontos prevê, entre outras medidas, que Washington se comprometa a suspender todas as sanções ao setor petrolífero do Irã e a desbloquear metade dos ativos congelados do país no exterior. Em contrapartida, Teerã se comprometeria a reativar a passagem pelo Estreito de Hormuz em até 30 dias, eliminando as restrições impostas após o agravamento do conflito na região.
Os pilares do acordo de 14 pontos
Os termos do rascunho, obtidos por fontes diplomáticas, indicam que as negociações finais só começarão depois que Teerã recuperar o acesso a uma parcela significativa de seus recursos financeiros retidos no exterior. Além disso, o texto exige a suspensão completa do bloqueio naval imposto pelos Estados Unidos e a retirada total das forças americanas do território iraniano.
Em um ponto que chama a atenção dos analistas de reconstrução econômica, o acordo também prevê que os Estados Unidos e seus aliados apresentem planos de reconstrução para o Irã com valor mínimo de US$ 300 bilhões. Esse montante, se concretizado, representaria o maior esforço de reconstrução patrocinado por potências ocidentais em um país do Oriente Médio desde o pós-guerra no Iraque.
Reação dos mercados e próximos passos
O anúncio da possível assinatura elevou o apetite por risco nas principais praças financeiras. As bolsas de Nova York, Londres e Tóquio registraram altas expressivas na sexta-feira, puxadas pelos setores de energia, logística e companhias aéreas, que se beneficiariam de uma redução nos prêmios de risco geopolítico e nos custos de frete.
Contudo, a agência oficial iraniana IRNA tratou de minimizar as especulações, classificando as informações sobre local e data da assinatura como ‘meras especulações da mídia’. A nota, atribuída ao porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, afirma que o anúncio oficial será feito apenas quando o Estado chegar a uma conclusão final. A Casa Branca, procurada pela CNBC, ainda não se manifestou oficialmente.
Cenário para o petróleo e o comércio global
Caso se concretize, a reabertura do Estreito de Hormuz terá efeito imediato sobre os preços do petróleo, que já refletem parcialmente a expectativa de aumento da oferta iraniana. Analistas do setor estimam que o Irã pode adicionar até 1,5 milhão de barris por dia ao mercado em até seis meses, aliviando as pressões inflacionárias sobre os combustíveis em todo o mundo.
O encontro de cúpula do G7, que ocorre entre 15 e 17 de junho em Évian, nos Alpes Franceses, deverá ser o palco principal para os desdobramentos diplomáticos. Líderes das maiores economias do mundo acompanharão de perto as negociações, uma vez que o acordo tem potencial para reordenar não apenas o fluxo de energia, mas também o equilíbrio de forças na região e as relações comerciais com o Ocidente.





