
As ações do SoftBank recuaram 10% na sessão desta quinta-feira (4), pressionadas pelo movimento de venda que atingiu bolsas americanas na véspera e se espalhou por outras gigantes de tecnologia asiáticas. A queda reacende o debate sobre os riscos associados às apostas agressivas do conglomerado japonês em inteligência artificial, mesmo após os papéis acumularem alta de cerca de 70% no ano.
Correção técnica após rali expressivo
O recuo representa uma virada brusca para o grupo liderado por Masayoshi Son. O SoftBank havia recentemente ultrapassado a Toyota Motor como a empresa de maior valor de mercado do Japão, impulsionado pelo entusiasmo dos investidores em torno das apostas da companhia no setor de IA. O sell-off desta sessão, contudo, reflete uma realização de lucros mais ampla no segmento de tecnologia, que partiu dos mercados externos e contaminou rapidamente as praças asiáticas.
Son mantém otimismo de longo prazo
Em declaração recente à CNBC, o CEO Masayoshi Son minimizou o risco de correções e manteve tom otimista quanto ao futuro da inteligência artificial. ‘Se olharmos para a história, a eletrônica e a motorização colapsaram em 1929, mas seguiram em alta por muitos e muitos anos, pelos próximos 100 anos depois disso… portanto, pode haver alguma correção, mas isso será para mim a melhor oportunidade de investimento’, afirmou Son.
Son também projetou que a revolução da IA será 50 vezes maior do que a revolução das pontocom dos anos 2000, reforçando a tese de que eventuais quedas representam janelas de entrada e não sinais de reversão estrutural.
Pressão sobre valuations de alto risco
Analistas apontam que o mercado está ‘cada vez mais fixado no momentum de curto prazo e menos interessado, ou incapaz, de mapear a trajetória de longo prazo com premissas detalhadas’. Esse comportamento amplifica a volatilidade em ativos que já operam com valuations elevados, como é o caso do SoftBank, cujos múltiplos estão atrelados a expectativas de crescimento acelerado da IA em seu portfólio de investimentos.
A queda desta sessão também arrastou outras grandes empresas de tecnologia da Ásia, sinalizando que o movimento vai além de uma questão específica do conglomerado japonês e reflete uma reavaliação mais ampla do apetite por risco no setor.





