O Estreito de Ormuz, passagem marítima que conecta o Golfo Pérsico ao Golfo de Omã, voltou a ser o epicentro da tensão geopolítica global após novos ataques dos Estados Unidos contra alvos iranianos nesta quarta-feira (8). A região, por onde transitam cerca de 20% de todo o petróleo mundial, foi palco de ofensivas iranianas contra navios comerciais, motivando a resposta americana e a ameaça de Teerã de fechar a rota estratégica.
O papel do estreito no mercado de petróleo
Dados da plataforma Vortexa indicam que, entre janeiro de 2022 e maio de 2025, o fluxo diário de petróleo bruto, condensado e combustível pelo estreito variou entre 17,8 milhões e 20,8 milhões de barris. Esse volume equivale a aproximadamente um quinto do consumo global. Países como Arábia Saudita, Irã, Emirados Árabes Unidos, Kuwait e Iraque, todos membros da OPEP, dependem dessa rota para exportar sua produção, majoritariamente destinada à Ásia. O Catar, um dos maiores exportadores de gás natural liquefeito, também utiliza o estreito para escoar quase toda sua produção.
Alternativas e riscos para o abastecimento
Diante da instabilidade, Emirados Árabes e Arábia Saudita buscam rotas alternativas para reduzir a dependência do estreito. Segundo dados da Administração de Informação de Energia dos EUA, de junho de 2024, existia capacidade ociosa de cerca de 2,6 milhões de barris por dia em oleodutos desses países, que poderiam ser acionados em caso de bloqueio. No entanto, o fechamento total do estreito causaria sérios problemas de abastecimento, com impactos imediatos nos preços do petróleo e na economia global. O anúncio de um acordo de paz recente já havia derrubado as cotações na segunda-feira, mas a nova escalada reacende a volatilidade.
Cenário atual e perspectivas
O estreito tem apenas 33 quilômetros de largura em seu ponto mais estreito, com canais de navegação de 3 quilômetros em cada direção, o que o torna vulnerável a bloqueios. As ameaças do Irã de fechar a passagem elevam o risco de uma crise energética. Você pode acompanhar os desdobramentos e as principais notícias sobre economia em tempo real aqui na SpaceMoney. A reação dos mercados, o posicionamento da OPEP e as negociações diplomáticas serão determinantes para os próximos dias.





