Minidólar renova alta e mira inflação ao produtor dos EUA

O contrato de minidólar para setembro (WDOU26) fechou a sessão de 12 de agosto em alta de 0,59%, aos 5.214 pontos, consolidando o terceiro pregão consecutivo de ganhos. O movimento refletiu, inicialmente, a leitura de que a inflação americana veio em linha com o esperado, o que diminuiu as apostas em uma nova elevação de juros pelo Federal Reserve e pressionou o dólar para baixo no começo do dia, com a cotação chegando a R$ 5,1382. A trajetória, porém, perdeu força ao longo da tarde, diante da cautela com o cenário doméstico e com o comportamento dos mercados internacionais. Nesta quinta-feira, 13 de agosto, a atenção dos investidores se volta para o índice de preços ao produtor dos Estados Unidos, que pode trazer novos sinais sobre os próximos passos da política monetária americana e, por consequência, sobre o rumo da moeda norte-americana frente ao real.

Mercado doméstico segue como fonte de cautela

No Brasil, a agenda política e o noticiário corporativo seguiram no radar dos participantes do mercado de investimentos. O mercado e a Bolsa ainda digeriam a mais recente pesquisa eleitoral e o rebaixamento das ações brasileiras pelo JPMorgan, movimento que reforçou a postura defensiva entre agentes financeiros depois da sessão negativa da véspera. Esse ambiente de maior aversão a risco local ajudou a sustentar o minidólar em um patamar elevado ao longo da tarde e limitou o espaço para uma queda mais expressiva da cotação.

A combinação entre ruído político e rebaixamento de recomendação para ativos brasileiros tende a manter os investidores atentos ao fluxo cambial nos próximos dias. A percepção de que o país enfrenta incertezas no campo fiscal e eleitoral pode continuar gerando demanda por proteção cambial, o que favorece o contrato futuro de dólar. Nesse contexto, qualquer sinal de fraqueza no noticiário externo tende a ser relativizado pelo comportamento doméstico dos preços.

PPI dos EUA pode orientar o próximo movimento do Fed

O índice de preços ao produtor americano, que será divulgado nesta quinta-feira, entra como o principal catalisador de curto prazo para o câmbio global. Após a inflação ao consumidor ter vindo em linha com o esperado, o mercado passou a reduzir as apostas em um novo aperto monetário do Fed, o que derrubou os rendimentos dos títulos americanos e enfraqueceu o dólar em escala internacional. Um resultado benigno no PPI tende a reforçar essa leitura e a abrir espaço para nova queda da moeda americana.

Por outro lado, um número acima do esperado pode reacender as preocupações com a trajetória dos juros nos Estados Unidos, dando novo fôlego ao dólar e elevando as chances de o minidólar acelerar o movimento de alta. Os traders acompanham tanto o dado em si quanto a reação dos rendimentos das Treasuries e das principais moedas emergentes, já que o comportamento global da divisa americana é um dos vetores de direção do contrato no curto prazo.

Gráfico de 15 minutos: suportes e resistências no curtíssimo prazo

Na leitura do gráfico de 15 minutos, o minidólar encerrou o último pregão com fluxo positivo e acima das médias móveis de 9 e 21 períodos, configuração que mantém os compradores em vantagem no curtíssimo prazo. A continuidade da alta, porém, depende da superação da região entre 5.222 e 5.232,5 pontos, preferencialmente com aumento do volume comprador. Acima dessa faixa, o contrato pode avançar em direção a 5.255/5.275 pontos e, caso o fluxo se intensifique, buscar a resistência de 5.295/5.303,5 pontos.

Na direção oposta, o cenário de curto prazo perde força se o minidólar cair abaixo do suporte de 5.197/5.180,5 pontos. Nesse caso, o movimento corretivo pode ganhar intensidade, com alvo inicial na região de 5.159/5.145 pontos. Uma queda mais prolongada teria como próximo objetivo a faixa de 5.122,5/5.102,5 pontos.

Gráfico de 60 minutos: cenário de curto prazo segue favorável

No gráfico de 60 minutos, o minidólar também fechou a sessão com fluxo comprador e acima das médias móveis de 9 e 21 períodos, indicando que o cenário de curto prazo permanece favorável aos compradores. Para prolongar o movimento de alta, o contrato precisa romper inicialmente a faixa de 5.232,5 a 5.255 pontos. Acima dela, a próxima resistência aparece em 5.295/5.303,5 pontos, seguida pelo alvo de 5.350 pontos e, em um movimento mais longo, por 5.378 pontos.

Caso a pressão vendedora se intensifique, a perda dos suportes de 5.180,5, 5.159 e 5.145 pontos pode abrir espaço para uma correção mais profunda. Nesse cenário, o contrato pode buscar a região de 5.122,5/5.102,5 pontos, com objetivo adicional em 5.087/5.071 pontos.

Gráfico diário: viés positivo ainda depende de rompimentos

No gráfico diário, o minidólar deu sequência ao movimento de alta e permanece acima das médias móveis de 9 e 21 períodos, um sinal de que o viés positivo segue válido na avaliação técnica. O contrato, no entanto, ainda precisa romper resistências importantes para ampliar o avanço. A primeira barreira relevante está na região de 5.255 a 5.303,5 pontos; acima dela, o movimento pode ganhar força e buscar a faixa de 5.377,5/5.490 pontos.

Na contramão, a retomada do fluxo vendedor dependeria da perda dos suportes em 5.142, 5.087 e 5.016 pontos. Abaixo dessas referências, a pressão de baixa tende a se intensificar e pode levar o contrato à faixa de 4.946/4.910,5 pontos. O índice de força relativa (IFR) de 14 períodos está em 58,77 pontos, patamar neutro, sem indicar sobrecompra ou sobrevenda.