Dólar recua com pesquisa eleitoral e crise no varejo
Cédulas de dólar e real refletem o movimento do câmbio

A sessão desta segunda-feira, 17, começou com o dólar em leve baixa no mercado brasileiro: por volta das 9h, a moeda americana recuava 0,18%, cotada a R$ 5,2098. As negociações do Ibovespa, principal índice da bolsa, começam às 10h, em um dia marcado pela leitura da mais recente pesquisa eleitoral e pela atenção ao varejo após o pedido de recuperação judicial da Casas Bahia.

No acumulado da semana, o dólar sobe 1,88%; no mês, avança 2,16%; no ano, recua 5,64%. O Ibovespa, por sua vez, acumula alta de 3,79% no ano e queda de 6,05% no mês.

Pesquisa eleitoral e contas públicas

A pesquisa Genial/Quaest divulgada na sexta-feira (14) voltou a indicar liderança do presidente Lula (PT) no primeiro turno, com 38% das intenções de voto, ante 31% de Flávio Bolsonaro (PL) e 4% de Renan Santos (Missão). O resultado reforça no mercado as preocupações com a trajetória da dívida pública e com o impacto dos planos dos candidatos para gastos e para a condução da economia.

Com a aproximação das eleições, a expectativa é de que as propostas fiscais ganhem cada vez mais peso nas decisões de investimento, especialmente diante do efeito sobre os juros e sobre o câmbio.

Recuperação judicial da Casas Bahia

No ambiente corporativo, a Casas Bahia entrou com pedido de recuperação judicial na Justiça de São Paulo na noite de domingo (16). O processo envolve a companhia e outras nove empresas do grupo e tem como objetivo reorganizar as finanças, renegociar cerca de R$ 17,3 bilhões em dívidas e garantir a continuidade das operações.

Essa não é a primeira tentativa de reequilíbrio: em 2024, a varejista realizou uma recuperação extrajudicial, renegociando aproximadamente R$ 4,1 bilhões com instituições financeiras. O caso amplia o alerta do mercado para a saúde do varejo brasileiro, que já viu o grupo Toky, dono da Tok&Stok e da Mobly, pedir recuperação judicial em maio, após registrar prejuízo de R$ 232,7 milhões no segundo trimestre.

Os resultados recentes do setor reforçam a cautela: a Magazine Luiza teve prejuízo superior a R$ 50 milhões no segundo trimestre, enquanto a Americanas quase triplicou suas perdas no período, para R$ 274 milhões. Com o cenário, investidores estrangeiros seguem retirando recursos da bolsa brasileira, o que pressiona os preços dos ativos.

Agenda de indicadores

No campo macroeconômico, o mercado avalia o IGP-10, que registrou queda de 0,51% neste mês, após recuar 1,13% em julho. O dado reforça o movimento de desaceleração de preços no atacado.

Também está no radar a nova edição do Boletim Focus, do Banco Central, que manteve as projeções para inflação, PIB, câmbio e Selic neste ano.

Tensões no Oriente Médio e petróleo

No exterior, o foco permanece no Oriente Médio. A guerra, desencadeada no fim de fevereiro com a ofensiva de Israel e dos Estados Unidos contra o regime iraniano, está perto de completar seis meses. O presidente americano, Donald Trump, ameaçou bombardear o Omã caso o país se intrometa no Estreito de Ormuz. No fim de semana, o Irã anunciou recompensa de US$ 30 mil (cerca de R$ 156 mil) para quem capturar ou matar militares americanos e entregá-los às autoridades iranianas.

O secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, afirmou que o Irã enfrentará um isolamento econômico “como o mundo nunca viu”, citando como comparação o bloqueio imposto a Cuba e à Venezuela. “A Venezuela entrou em colapso imediatamente quando impusemos o bloqueio”, disse. A fala marca uma mudança de tom, depois de o governo Trump ter falado, no início de agosto, em um acordo iminente para reabrir a via. O vice-presidente JD Vance, por sua vez, listou como prioridade manter o petróleo e o gás baratos para os americanos e, em segundo lugar, garantir que o Irã nunca obtenha uma arma nuclear.

Com o Estreito de Ormuz fechado pelo Irã, passagem por onde circulavam 20% do petróleo mundial antes da guerra, os preços da commodity voltaram a subir. O Irã condiciona a liberação da via à autorização prévia e planeja cobrar taxas de serviço, algo que Washington rejeita. O barril do Brent operava em alta de 0,59%, a US$ 89,04, enquanto o WTI avançava 0,23%, a US$ 82,59.

Mercados globais

Na sexta-feira (14), Wall Street fechou em queda: o Dow Jones caiu 0,13%, o S&P 500 recuou 0,20% e o Nasdaq teve baixa de 0,45%, com investidores avaliando novos dados do varejo americano.

Na Europa, o índice pan-europeu STOXX 600 cedeu 0,2%, a 657,86 pontos, com o DAX, da Alemanha, subindo 0,53%, o CAC-40, da França, caindo 0,16% e o FTSE 100, do Reino Unido, recuando 0,21%. Na Ásia, o CSI 300, que reúne as maiores companhias listadas em Xangai e Shenzen, avançou 0,04%.