
O dólar à vista fechou a sessão desta terça-feira, 1º de setembro, em queda de 0,47%, cotado a R$ 5,1557, em movimento atribuído por operadores à redução dos prêmios de risco embutidos nos ativos domésticos. A leitura do mercado é que a disputa presidencial se tornou mais acirrada, reconfigurando as apostas dos investidores. O movimento ocorreu na contramão do comportamento da moeda norte-americana no exterior, e o real anotou o segundo melhor desempenho entre as principais divisas, atrás apenas do peso colombiano.
A alta da moeda norte-americana foi limitada à primeira hora de negócios, quando o dólar atingiu a máxima de R$ 5,2015. As mínimas foram registradas no fim da manhã, com o dólar tocando R$ 5,1378. No encerramento, a moeda ficou abaixo de R$ 5,16. Em agosto, o dólar acumulou alta de 2,16% frente ao real.
Cenário eleitoral reduz prêmio de risco
As últimas pesquisas eleitorais contribuíram para uma reconfiguração das apostas dos investidores, segundo o economista-chefe da CVPAR, Marcelo Fonseca. Na avaliação dele, o principal gatilho para a valorização do real foi a percepção de que a corrida eleitoral se acirrou. Fonseca afirmou que a oposição passou a ser vista como a principal aposta para uma mudança de política econômica a partir de 2027, com ajuste das contas públicas.
O economista também avaliou que as sinalizações de Flávio foram positivas, com escolha de nomes para o segundo escalão e indicação de uma linha de ortodoxia econômica. No campo político, o mercado acompanhou ainda notícias sobre o envolvimento do ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes, com Daniel Vorcaro, do Banco Master.
Geopolítica e efeitos mistos no exterior
No exterior, a valorização de mais de 4% do petróleo, em meio ao recrudescimento dos ataques entre Estados Unidos e Irã, produziu efeitos mistos sobre o câmbio. De um lado, elevou a aversão ao risco e impulsionou os rendimentos dos Treasuries, pressionando moedas emergentes. De outro, favoreceu países beneficiados pelos termos de troca ligados ao petróleo.
O índice DXY avançava 0,26% perto do fim da tarde, aos 99,689 pontos. Mesmo com o exterior adverso, o dólar perdeu força no mercado doméstico e encerrou o dia abaixo de R$ 5,16, em sessão marcada pela combinação de fatores eleitorais internos e tensão geopolítica no exterior. Acompanhe as principais notícias da economia em tempo real na SpaceMoney.





