
O dólar à vista interrompeu nesta segunda-feira (17) a sequência de cinco altas consecutivas ante o real, encerrando as negociações a R$ 5,2012, em queda de 0,36%, em um pregão marcado por dados domésticos mais fracos, alívio global da moeda americana e atuação do Banco Central no mercado de câmbio.
Por volta de 17h (horário de Brasília), o DXY, indicador que compara o dólar a uma cesta de seis divisas globais, como euro e libra, operava em leve baixa de 0,09%, aos 99.577 pontos, movimento que abriu espaço para o real ganhar fôlego.
O que explica a queda do dólar nesta segunda-feira
No front doméstico, o Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), considerado uma proxy do Produto Interno Bruto (PIB), recuou 0,6%, retração mais intensa do que o esperado pelo mercado, corroborando a leitura de perda de força da economia brasileira.
Para o economista sênior da Nomad, Vitor Kayo, o real ganha fôlego puxado pela fraqueza global do dólar, com o DXY cedendo e o mercado revendo para baixo as chances de o Federal Reserve subir os juros depois de números fracos de emprego e inflação nos Estados Unidos. “No front doméstico, o IBC-Br de junho decepcionou, veio abaixo do esperado e confirmou um ritmo mais fraco da atividade, o que também ajuda a segurar a moeda norte-americana por aqui”, afirma.
O Banco Central também entrou em cena na sessão. A instituição vendeu US$ 1 bilhão em leilão de venda de dólares com compromisso de recompra, conforme comunicado divulgado. A taxa de corte do leilão de linha foi de 5,093000%, com quatro propostas aceitas. A operação tem como objetivo a rolagem do vencimento de 2 de setembro: a venda da moeda será liquidada nessa data, enquanto a recompra ficou programada para 2 de fevereiro de 2027.
Agenda da semana e Fed
Durante a semana, os investidores seguem monitorando a ata da última decisão de juros do Federal Reserve, que manteve a taxa dos Fed Funds no intervalo de 3,50% a 3,75%. O documento deve ser lido em busca de sinais sobre os próximos passos da política monetária americana, sobretudo após indicadores recentes mais fracos.
Geopolítica e petróleo no radar
No cenário externo, as tensões entre Washington e Teerã seguem no radar, com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ameaçando Omã caso o país atrapalhe os planos norte-americanos para o Estreito de Ormuz. Diante da perspectiva de escalada do conflito, sem uma renovação do cessar-fogo entre EUA e Irã, o petróleo Brent fechou em alta, voltando a superar os US$ 90.





