Notas de cem dólares americanos espalhadas, ilustrando a oscilação e o valor do dólar hoje no mercado de câmbio.
Cotação do dólar hoje registra volatilidade após dados fiscais piores do que o esperado no Brasil.

O dólar hoje iniciou esta terça-feira (30) em alta, refletindo a piora do cenário fiscal brasileiro e a expectativa dos investidores pela divulgação de importantes indicadores do mercado de trabalho no Brasil e nos Estados Unidos.

Após abrir próximo da estabilidade, a moeda norte-americana ganhou força ao longo da manhã. Por volta das 9h30, o dólar comercial era negociado próximo de R$ 5,19, enquanto os contratos futuros do Ibovespa ampliavam as perdas, demonstrando maior cautela por parte do mercado.

Por que o dólar hoje está subindo?

O principal fator por trás da alta do dólar hoje foi a divulgação das estatísticas fiscais pelo Banco Central.

Segundo os dados, a dívida bruta do governo geral avançou para 81,2% do Produto Interno Bruto (PIB) em maio, acima dos 80,2% registrados em abril.

Além disso, o setor público consolidado apresentou déficit primário de R$ 56,1 bilhões no período, resultado pior do que o esperado pelo mercado, que projetava um rombo próximo de R$ 53,5 bilhões.

Na avaliação dos investidores, a deterioração das contas públicas aumenta a percepção de risco sobre a economia brasileira e fortalece a demanda pela moeda norte-americana.

IPP recua e reduz pressão sobre os custos da indústria

Outro indicador divulgado nesta terça-feira trouxe um sinal mais positivo para a inflação.

O Índice de Preços ao Produtor (IPP), calculado pelo IBGE, recuou 0,30% em maio, revertendo parte da forte alta registrada no mês anterior.

No acumulado de 12 meses, o indicador avançou 1,99%.

Embora o índice não meça diretamente a inflação ao consumidor, ele funciona como um importante termômetro dos custos da indústria e pode indicar menor pressão inflacionária nos próximos meses.

Governo comenta efeitos do programa Desenrola

Durante evento nesta terça-feira, o secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Rogério Ceron, afirmou que o programa Desenrola ajuda a reorganizar as finanças das famílias brasileiras.

Segundo ele, a renegociação das dívidas tende, em um primeiro momento, a reduzir parte da renda disponível para consumo, já que os recursos passam a ser destinados ao pagamento dos débitos.

Ceron também afirmou que a recente alta da inflação foi influenciada pelo avanço dos preços internacionais do petróleo, mas destacou que esse movimento já começa a perder força.

Dados de emprego também influenciam o dólar hoje

Além do cenário fiscal, o mercado acompanha indicadores que podem trazer novos sinais sobre o ritmo da atividade econômica.

No Brasil, os investidores aguardam a divulgação dos dados do Caged referentes ao mês de maio, que mostram o saldo de empregos formais criados no país.

Nos Estados Unidos, o foco está no relatório Jolts, indicador que mede a abertura de vagas de trabalho e antecede a divulgação do Payroll, considerado um dos principais termômetros da economia norte-americana.

Os resultados podem alterar as expectativas para a política monetária do Federal Reserve e, consequentemente, influenciar o comportamento do dólar hoje e de outras moedas ao redor do mundo.

Alívio no cenário internacional limita a alta

No mercado externo, a redução das tensões no Oriente Médio contribui para melhorar o humor dos investidores.

O acordo provisório entre Estados Unidos e Irã para suspensão das hostilidades e manutenção da navegação comercial pelo Estreito de Ormuz reduziu parte das preocupações relacionadas ao abastecimento global de petróleo.

Com isso, os contratos futuros do Brent operaram em leve queda, enquanto os índices futuros das bolsas de Nova York mantiveram viés positivo.

Mesmo com um ambiente externo mais favorável aos ativos de risco, a piora das contas públicas brasileiras continuou sendo o principal fator de pressão sobre o real.

O que acompanhar no dólar hoje

Ao longo da sessão, o comportamento do dólar hoje seguirá condicionado à divulgação dos dados de emprego no Brasil e nos Estados Unidos, além da repercussão dos números fiscais divulgados pelo Banco Central.

A combinação entre o cenário doméstico, a política monetária internacional e o apetite global por risco continuará determinando os movimentos do câmbio nas próximas sessões.