Dólar fecha a R$ 5,07 com risco eleitoral e Oriente Médio
Dólar fecha a R$ 5,07 com risco eleitoral e Oriente Médio

O dólar à vista encerrou a sessão desta sexta-feira (15) cotado a R$ 5,0678, com alta de 1,63%, acumulando valorização superior a 3% na semana diante da combinação de aversão a risco global e precificação do chamado “risco Flávio” no cenário doméstico. No intradia, a moeda chegou a R$ 5,0818, maior nível da sessão.

Fatores externos pressionam o câmbio

O ambiente geopolítico no Oriente Médio manteve os investidores em posição defensiva ao longo do dia. Tensões na região elevaram a demanda por ativos de proteção e reduziram o apetite por moedas de economias emergentes, penalizando diretamente o real.

O movimento foi amplificado pelo dólar índice (DXY), que operou em alta frente a uma cesta de divisas, refletindo o fluxo de capital para ativos considerados mais seguros.

Risco eleitoral entra no radar do mercado

No plano doméstico, o mercado precificou com mais intensidade o chamado “risco Flávio”, expressão utilizada por operadores para nomear a possibilidade de candidatura de Flávio Bolsonaro à presidência em 2026 e seus eventuais impactos sobre o cenário fiscal e político brasileiro.

Esse componente eleitoral passou a ser incorporado nos prêmios de risco cambial, pressionando o real de forma adicional ao fator externo. Analistas avaliam que a incerteza política doméstica tende a amplificar movimentos de saída de capital em momentos de estresse global.

Impacto nos ativos domésticos

A alta do dólar refletiu negativamente sobre os ativos de risco locais. O mercado de renda variável operou sob pressão, com investidores reduzindo exposição a papéis sensíveis ao câmbio e à taxa de juros. Setores com dívida em moeda estrangeira ficaram no centro das atenções.

Acumulado semanal supera 3%

Com o resultado desta sexta-feira, o dólar acumulou valorização de mais de 3% na semana frente ao real. O desempenho coloca o par USDBRL entre os destaques negativos para ativos brasileiros no período, em um contexto em que a macroeconomia global segue pressionada por focos de instabilidade geopolítica e incertezas sobre o ciclo de juros nos Estados Unidos.

Próximos gatilhos

Para as próximas sessões, o mercado acompanhará de perto desdobramentos no Oriente Médio, novos dados de inflação nos EUA e eventuais declarações de candidatos ao Planalto. Qualquer escalada nas tensões geopolíticas ou ruído político interno pode manter o câmbio em patamar elevado.