
O dólar abre a sessão desta quarta-feira, 2 de setembro, com expectativas concentradas na agenda política e na divulgação de indicadores no Brasil e nos Estados Unidos. A moeda americana reflete a repercussão da troca de mensagens entre o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. O Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, inicia os negócios às 10h.
As conversas indicam, entre outros pontos, que o ministro discutia com o ex-dono do Banco Master a possibilidade de a Polícia Federal (PF) deflagrar uma operação com Vorcaro como alvo.
Agenda política movimenta o Congresso
No Senado, pode ser votado nesta quarta-feira o projeto que acaba com a chamada “taxa das blusinhas”. Antes disso, às 9h, a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) analisa duas propostas: a que extingue a escala de trabalho 6×1 e a PEC da Segurança Pública.
A movimentação no Legislativo ocorre em um dia carregado também no campo da macroeconomia, com a publicação da produção industrial de julho pelo IBGE, às 9h, e do fluxo cambial até 28 de agosto pelo Banco Central, às 14h30.
Indicadores e juros nos Estados Unidos
No exterior, o Federal Reserve divulga às 15h (horário de Brasília) o Livro Bege, relatório com informações sobre a economia americana que costuma servir de referência para a próxima decisão de juros.
O mercado também acompanha o petróleo e as expectativas de elevação dos juros nos Estados Unidos, fatores que influenciaram a sessão asiática.
PIB desacelera no segundo trimestre
O Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro cresceu 0,5% no segundo trimestre de 2026, informou o IBGE. O resultado representa uma desaceleração em relação ao avanço de 1,1% registrado no primeiro trimestre. Em valores correntes, o PIB somou R$ 3,4 trilhões.
Pelo lado da oferta, a Agropecuária foi o principal destaque, com alta de 2,8%. Serviços cresceram 0,2% e a Indústria, 0,1%. Na avaliação do coordenador de Contas Nacionais do IBGE, Ricardo Montes de Moraes, o desempenho do setor agropecuário liderou o trimestre, enquanto Serviços e Indústria avançaram em ritmo mais moderado.
Pelo lado da demanda, os investimentos subiram 1,2% e o consumo do governo, 0,4%. O consumo das famílias recuou 0,4%, enquanto as exportações caíram 0,8% e as importações avançaram 1,8%. Na comparação com o segundo trimestre de 2025, o PIB cresceu 2%, com alta de 6,8% na Agropecuária e de 1,5% tanto na Indústria quanto nos Serviços. Nessa base, o consumo das famílias subiu 0,5%, o consumo do governo, 3,1%, e os investimentos, 1,4%.
Dólar e Ibovespa no acumulado
No acumulado da semana, o dólar recua 0,78%. No mês, a queda é de 0,47%, e no ano, de 6,07%. O Ibovespa, por sua vez, acumula ganho de 2,31% na semana, 1,30% no mês e 11,54% no ano.
Os números reforçam o tom de cautela dos investidores enquanto a sessão digere os desdobramentos políticos e os próximos indicadores. O câmbio e a bolsa seguem à espera das decisões do Congresso e das sinalizações do Federal Reserve.
Bolsas asiáticas fecham em ritmo misto
As bolsas asiáticas fecharam sem direção única, com predomínio de perdas. A cautela foi provocada pela alta dos preços do petróleo e pelo aumento das apostas de que os Estados Unidos possam elevar os juros ainda neste mês, o que tende a reduzir o apetite por risco.
Em Xangai, o índice caiu 0,97%, enquanto o CSI300 recuou 1,38%. O Hang Seng, de Hong Kong, teve leve baixa de 0,07%. O Nikkei, de Tóquio, perdeu 2,85%, e o Kospi, de Seul, registrou a maior queda do dia, de 3,99%. Na contramão, a Bolsa de Cingapura fechou em alta, com avanço de 0,59%.





