
O dólar recuou abaixo de R$ 5 nesta semana, movimento que surpreendeu o mercado e reacendeu o debate sobre as perspectivas para a macroeconomia brasileira em 2026. A valorização do real foi acompanhada por revisões nas projeções de inflação, em um contexto de maior apetite por ativos emergentes.
Dólar em queda: o que está por trás do movimento
A moeda norte-americana cedeu frente ao real e operou abaixo da barreira de R$ 5 durante a semana. O recuo reflete uma combinação de fatores externos, entre eles a pressão vendedora sobre o dólar no mercado global e o fluxo de capital estrangeiro em direção a mercados emergentes.
A XP Investimentos mantém projeção de câmbio em R$ 5,30 para o encerramento de 2026. Esse número indica que, na visão da corretora, o atual patamar representa um movimento pontual, não uma reversão estrutural da tendência de desvalorização do real.
Fatores que sustentam o real no curto prazo
O diferencial de juros continua sendo o principal suporte para o real. Com a Selic em patamar elevado, o carrego favorece posições compradas na moeda brasileira. Além disso, o ambiente externo de enfraquecimento do dólar índice contribuiu para o movimento desta semana.
Novas projeções para a inflação
O recuo do câmbio abre espaço para revisões nas estimativas de inflação. Um dólar mais fraco reduz a pressão sobre os preços de importados e de insumos atrelados ao mercado externo, aliviando parte do componente cambial da inflação.
Analistas monitoram de perto se o movimento do câmbio será duradouro o suficiente para impactar as projeções do IPCA nos próximos meses. Por ora, as revisões são cautelosas e condicionadas à sustentação do real abaixo de R$ 5.
Cenário fiscal ainda no radar
Apesar do alívio cambial, o cenário fiscal brasileiro permanece como fator de risco central. As incertezas em torno do cumprimento do arcabouço fiscal limitam o espaço para uma apreciação mais consistente do real e mantêm prêmio de risco na curva de juros.
O que o mercado observa para as próximas semanas
Os investidores acompanham os dados de atividade econômica nos Estados Unidos e as sinalizações do Federal Reserve sobre a trajetória dos juros americanos. No Brasil, o foco recai sobre os números de arrecadação e as declarações do Banco Central acerca da política monetária.
A combinação entre câmbio e inflação define o espaço de manobra do Copom nas próximas reuniões. Um real mais forte, se sustentado, pode influenciar o ritmo de ajuste da Selic ao longo do segundo semestre de 2026.




