O Índice Prato Feito (IPF), calculado pelo Núcleo de Estudos Econômicos da Faculdade do Comércio (FAC-SP), mostrou que o preço médio da refeição atingiu R$ 31,90 em junho de 2026, uma alta de 5,4% em relação a março e de 7,2% comparado a janeiro. Para quem almoça fora de casa nos 20 dias úteis do mês, o gasto mensal apenas com essa refeição chega a R$ 638, sem incluir café da manhã, lanches ou jantar. O avanço ocorre em um contexto de desaceleração da inflação dos alimentos, que recuou 0,24% em junho, segundo o IBGE, enquanto a alimentação fora do domicílio ainda subiu 0,15% no mês.
Custos operacionais explicam descolamento entre preços dos alimentos e do prato feito
Apesar da queda nos preços de itens como café moído, frutas e carnes, o custo do prato feito continuou subindo porque sua composição vai além dos ingredientes. O economista Rodrigo Simões Galvão, responsável pelo IPF, destacou que o reajuste reflete a pressão de toda a estrutura de custos dos restaurantes, como aluguel do ponto comercial, energia elétrica, salários dos funcionários, transporte, tributos e custo financeiro. Quando o prato feito fica mais caro, o aumento costuma ser um repasse parcial das despesas operacionais, e não necessariamente um reflexo da alta dos alimentos.
Segundo o levantamento, os estabelecimentos enfrentam um dilema: de um lado, consumidores cada vez mais sensíveis a preços; de outro, custos operacionais elevados que exigem repasses para manter a margem. Isso explica por que o alívio na inflação de alimentos não se traduziu em preços mais baixos nos restaurantes.
Variação regional supera 16% no preço da refeição
O IPF revelou diferenças significativas entre as regiões do Brasil. O Sul apresenta o maior valor médio, de R$ 34,90, seguido pelo Centro-Oeste com R$ 34,45. No Sudeste, o prato feito custa em média R$ 31,99, enquanto no Norte e Nordeste os valores são os menores, de R$ 29,99 e R$ 30, respectivamente. Assim, um trabalhador pode pagar até 16% a mais pelo mesmo tipo de refeição dependendo da região onde mora.
Galvão afirmou que o prato feito evidencia as desigualdades regionais, mas também mostra um movimento comum: a refeição básica está mais cara em todo o país. Fatores como aluguel, energia, água, gás e salários continuam pressionando os custos dos restaurantes, mesmo em períodos de alívio nos preços de alguns alimentos.
El Niño pode agravar cenário nos próximos meses
As perspectivas para os próximos meses indicam novos riscos de alta. Especialistas apontam que um eventual fortalecimento do fenômeno El Niño pode reduzir a oferta de diversos produtos agrícolas, como batata, cebola, tomate, cenoura, maçã e uva. O milho também pode ser afetado, o que tende a encarecer a produção de carnes, já que o grão é um dos principais componentes da ração animal.
Embora ainda seja cedo para medir a intensidade desses efeitos, o fenômeno climático já é monitorado com atenção pelo potencial de impactar a produção agrícola e os preços dos alimentos. Se confirmado, o El Niño pode pressionar novamente os custos dos restaurantes, dificultando a estabilização do preço do prato feito.
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