Em uma articulação coordenada, três das principais entidades empresariais do Brasil e dos Estados Unidos entregaram uma carta conjunta às autoridades dos dois países propondo uma ampliação significativa do comércio bilateral. A iniciativa ocorre em meio às negociações que buscam evitar a aplicação de uma tarifa de 25% sobre cerca de 4,2 mil produtos brasileiros exportados ao mercado americano, que somam US$ 15 bilhões.
Carta conjunta propõe cooperação em setores estratégicos
A Confederação Nacional da Indústria (CNI), a Câmara Americana de Comércio para o Brasil (AmCham) e a US Chamber of Commerce assinaram o documento endereçado aos ministros Mauro Vieira (Relações Exteriores) e Márcio Elias Rosa (Desenvolvimento, Indústria e Comércio), além do secretário de Estado americano Marco Rubio e do representante comercial Jamieson Greer. O teor sugere avanços em áreas como segurança energética, data centers, automóveis e minerais críticos.
Entre as propostas estão o aprofundamento da cooperação regulatória nos setores automotivo e farmacêutico, o apoio a uma moratória da OMC sobre transmissões eletrônicas e a aceleração do exame de patentes. Os signatários defendem que as negociações, e não as tarifas, produzem resultados mais duráveis e evitam danos a empresas, trabalhadores e consumidores dos dois lados.
Impacto das tarifas sobre o comércio bilateral
Dados da CNI apontam que a taxa proposta de 25% atingiria diretamente 4,2 mil itens brasileiros, impactando US$ 15 bilhões em exportações. O presidente da AmCham, Abrão Neto, destacou em nota que a aplicação de novas tarifas seria prejudicial para ambas as economias, apontando que a participação dos Estados Unidos no comércio total do Brasil caiu para 11,2% nos primeiros cinco meses de 2026, o menor nível histórico. As importações brasileiras de origem americana também recuaram 11% no mesmo período.
Segundo Neto, tarifas adicionais podem reduzir ainda mais a presença comercial dos EUA no Brasil, abrindo espaço para concorrentes estrangeiros. O Itamaraty mapeou 43 empresas e associações americanas que formalmente se opuseram à tarifação, argumentando que não há substitutos domésticos para muitos produtos brasileiros e que os custos seriam repassados aos consumidores e indústrias americanas. Você pode acompanhar os desdobramentos e as principais notícias sobre economia em tempo real aqui na SpaceMoney.
Próximos passos das negociações
O prazo para um eventual acordo é 15 de julho, quando o Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR) decide sobre a aplicação das tarifas. Audiências públicas estão em andamento, com participação de representantes dos setores de café, arroz, açúcar, etanol de milho, ferro-gusa, rochas ornamentais, entre outros. O Ministério das Relações Exteriores brasileiro afirmou que continuará empenhado no diálogo e que as sugestões do setor privado são bem-vindas.
A investigação da Seção 301 cita práticas brasileiras como o funcionamento do PIX, decisões judiciais sobre redes sociais, acordos comerciais com outros países e falhas no combate ao desmatamento. Apesar da proposta de tarifa, os EUA já incluíram exceções para produtos estratégicos como café, carnes, frutas, fertilizantes, medicamentos, aeronaves e minerais estratégicos. O sentimento geral é que a reversão total das tarifas é improvável, mas o alcance pode ser reavaliado.





