
O barril do petróleo Brent para agosto avança 2,30% nesta quarta-feira, 3 de junho, cotado a US$ 98,21 — o maior nível em semanas. O WTI para julho sobe 2,35%, para US$ 95,96. O gatilho imediato: o Comando Central dos EUA confirmou a interceptação de mísseis balísticos e drones iranianos na terça-feira, 2, seguida de ataques defensivos americanos contra o Irã.
Estreito de Ormuz no centro do risco
O mercado precifica um cenário extremo: o bloqueio total do Estreito de Ormuz. A passagem é responsável por 20% do petróleo negociado no mundo inteiro. A mídia estatal iraniana sinalizou que Teerã avalia o fechamento completo da rota, o que configuraria um choque de oferta sem paralelo na história recente do mercado de commodities.
O que dizem as autoridades
O cenário diplomático permanece nebuloso. O presidente Donald Trump afirmou que Washington segue engajada nas negociações e classificou como «fake news» os relatos de que o diálogo foi interrompido. «As notícias falsas de que a República Islâmica do Irã e os EUA pararam de se comunicar há alguns dias são falsas e errôneas», disse Trump. O secretário de Estado Marco Rubio acrescentou que «existe a possibilidade» de o Irã «negociar aspectos de seu programa nuclear».
Versão iraniana contradiz Washington
Do lado oposto, as agências Fars e Tasnim — ligadas ao governo de Teerã — informaram que as comunicações foram suspensas e que os negociadores iranianos deixaram de manter contatos indiretos com os americanos. A contradição entre as narrativas amplia a incerteza nos mercados.
Colapso de exportações e danos bilionários
Analistas do Fitch Group alertam que o conflito já provocou uma disrupção profunda no setor de petróleo e gás da região. Exportações colapsaram. Danos à infraestrutura energética são bilionários e a recuperação pode levar anos. O grupo identificou Catar, Bahrein e Iraque como os países mais afetados pela guerra, com impactos diretos sobre campos de produção e ativos de refino e transporte.
Lógica do mercado
Investidores operam sob forte aversão ao risco. A combinação de ataques militares confirmados, sinais conflitantes sobre cessar-fogo e ameaça concreta ao fluxo global de petróleo sustenta a trajetória de alta dos preços no curto prazo. Qualquer novo episódio de escalada — ou confirmação do bloqueio de Ormuz — tem potencial para empurrar o Brent além dos US$ 100 por barril nas próximas sessões.





