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Os planos de Biden e suas consequências para as commodities

Uma das ambições de Biden é implementar seu plano de descarbonização dos EUA. Veja uma análise do impacto da medida sobre commodities:

12 novembro 2020 - 09h30
Os planos de Biden e suas consequências para as commodities

Joe Biden deverá ser empossado o 46º presidente dos Estados Unidos em janeiro do ano que vem. Mas a vida fácil que as pesquisas indicavam que o democrata teria – a celebrada “Onda Azul” - não deverá se materializar.

Três pontos principais foram inesperados. A primeira surpresa após a contagem da maior parte das urnas foi a margem relativamente baixa, em relação às projeções, da vitória de Biden. A segunda foi o fato de que a maioria Democrata na Câmara deverá ser mantida, mas com pouca folga — o partido deverá perder entre 7 e 11 deputados. Será a maioria mais “frágil” de qualquer partido na casa em cerca de duas décadas.

E a última surpresa se deu no Senado. Os democratas eram favoritos para ganhar o controle, que deverá permanecer em mãos republicanas, a não ser que sejamos surpreendidos novamente pela Geórgia. O estado deverá eleger seus dois senadores apenas no ano que vem. Caso ambos sejam democratas (o que parece improvável), o Senado estaria com o controle dividido.

Os resultados mornos para os Democratas levaram a questionamentos acerca do que levou ao desempenho decepcionante. Talvez o eleitor de centro americano realmente estava fatigado com o estilo combativo de Trump, e elegeu Biden. Mas esse mesmo eleitor não quis chancelar as ideias mais à esquerda das alas socialistas do partido Democrata, representadas por expoentes como Bernie Sanders e Elizabeth Warren.

A situação é preliminar, mas sugere uma presidência democrata centrista. Biden deverá ter um estilo “presidenciável”, mas sem forças para implementar uma agenda progressista ambiciosa. Terá nova oportunidade de fazer sua “Onda Azul” nas próximas eleições para o Congresso, daqui a dois anos. Seu discurso de vitória foi de união, anunciando uma presidência para todos os americanos, independentemente de sua filiação partidária.

Transição energética

Uma das ambições de Biden é implementar seu plano de descarbonização dos Estados Unidos. Pretende investir dois trilhões de dólares e descarbonizar completamente a matriz energética do país até 2035, tornando a nação neutra em carbono até 2050. 

O resultado de uma transição desse tipo poderá ter efeitos importantes sobre preços relativos, aumentando a demanda por produtos importantes para a cadeia de energias renováveis: Lítio, Manganês, Cobalto, Alumínio, Urânio e alguns componentes de terra rara. O custo de extração de petróleo poderá subir, no entanto, com o aumento das regulações sobre o setor nos Estados Unidos. 

O país foi, em 2019, o maior produtor de petróleo do planeta, superando a Arábia Saudita em cerca de 25%. A queda da oferta da commodity poderá exercer uma pressão positiva sobre seus preços, gerando efeitos importantes para países exportadores, como o Brasil. Poderá também ter um efeito importante sobre a inflação global.

Revitalização da infraestrutura

Outro pilar importante do projeto de Biden é seu plano para a infraestrutura. Durante a campanha, divulgou diagnósticos de que a infraestrutura do país estava “literalmente desmoronando”, com um em cada cinco quilômetros das estradas em “condições ruins”, falta de acesso à internet de alta velocidade para dezenas de milhões de americanos e escolas públicas produzindo avaliações ruins. 

Seu plano se trata de revitalizar a infraestrutura de forma ampla no país — criando empregos enquanto o faz — ao investir 1,3 trilhão de dólares ao longo dos próximos dez anos. As consequências para o mercado de commodities são óbvias, com provável aumento do consumo do aço — e, por extensão, do minério de ferro.

Os dois pilares que citei acima compõem a direção geral das expectativas econômicas para a Casa Branca nos próximos anos: teremos um Estados Unidos que pretende investir mais dinheiro público na economia – o plano de campanha de Biden previa investimentos totais de $7 trilhões de dólares.

O presidente deverá encontrar muitas barreiras para aprovar a maior parte de seus planos, com um Senado sob controle da oposição e uma maioria estreita na Câmara. A aposta é que seu perfil mais conciliador, aliado a décadas de experiência como parlamentar, sejam suficientes para vencer resistências e fazer aprovar políticas efetivas, ainda que menos ambiciosas em seu tamanho. 

Alguns projetos, como a aprovação de um pacote modesto de suporte adicional pós-coronavírus e investimentos em infraestrutura, são menos polarizados do que outros, como os planos para o clima. Para os mercados globais de commodities, no entanto, a presidência Biden parece guardar grandes promessas. A conferir.

A opinião e as informações contidas neste artigo são responsabilidade do autor, não refletindo, necessariamente, a visão da SpaceMoney.

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