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Open BankingCOLUNA

Open Banking

Albert Morales

General Manager na Belvo

Menos debates, mais mão na massa: a chave para o sucesso do Open Banking

O espaço para inovar está aí. Para chegar lá, no entanto, precisamos parar de falar do Open Banking, e começar a fazê-lo acontecer. 

17 março 2021 - 15h56
Menos debates, mais mão na massa: a chave para o sucesso do Open Banking

O Open Banking viralizou no Brasil desde o início das fases regulatórias da sua implementação. Muito se fala, o tempo todo, sobre o acesso aos dados financeiros. E é claro que o novo modelo é um ponto de inflexão, uma vez que os maiores bancos brasileiros deverão abrir suas plataformas conforme a regulamentação do Banco Central, transformando permanentemente o cenário bancário e financeiro como conhecemos hoje. 

Porém, para o Open Banking de fato causar efeito, não é no termo em si que temos que concentrar nossa atenção, e sim no que podemos construir a partir dele.

Afinal, o Open Banking sozinho não passa de um modelo colaborativo que permite a movimentação livre de dados pessoais entre instituições financeiras e as instituições/ aplicativos de preferência dos usuários, com o consentimento deles. Sem casos de uso claros, não há benefício direto algum, nem para a população nem para as instituições. 

Em uma pesquisa realizada pela Belvo com profissionais da fintech na América Latina sobre o cenário do Open Finance em 2021, mais de 84.3% dos entrevistados consideram que 2021 verá um grande aumento na adoção do modelo. Porém, 90% acreditam que as empresas precisam começar a se movimentar para consolidar sua implementação.

Ao discorrermos incessantemente sobre o Open Banking como algo concreto, como uma tecnologia autossuficiente, podemos estar causando mais mal do que bem, arriscando fazer com que todo o potencial do modelo permaneça em um limbo utópico, impedindo que a população se beneficie de todas as maravilhosas possibilidades que ele traz. É muito semelhante ao que ocorre com o termo blockchain - se falarmos somente da tecnologia subjacente e de regulamentação, e não da aplicabilidade desta em casos de uso que gerem valor, não veremos muita adesão. 

Mesmo com todo o boom causado pelo início da regulamentação no Brasil, muita gente ainda não ouviu falar sobre ou não sabe o que é de fato o Open Banking. E a bem da verdade, isso não é tão prejudicial. No momento, precisamos focar nos casos de uso, na construção de soluções que venham ao encontro das necessidades dos usuários, a fim de demonstrar o real valor do compartilhamento de dados financeiros de uma forma palpável. 

Distintas estratégias de atuação

Existem dois grandes campos de atuação no ecossistema do Open Banking, o dos que facilitam e o dos que constroem. O primeiro é formado pelas plataformas que fornecem a tecnologia, as APIs que se conectam às instituições financeiras, a fim de possibilitar o acesso e o enriquecimento dos dados financeiros de diferentes fontes. Já o segundo engloba as entidades, financeiras ou não, que possuem o papel de construir os produtos e soluções para os usuários finais.

Os facilitadores tornam o acesso à informação possível e mais seguro, mas o segundo grupo detém um papel fundamental na consagração do Open Banking. Já existem inúmeras soluções que podem ser implementadas com o modelo, e muitas outras a serem descobertas. Desde aplicações financeiras (envolvendo consolidadores e gerenciadores financeiros, crédito, investimentos etc.) até muitas outras não tão óbvias, como no marketing ou na publicidade.

Estamos observando uma crescente maturidade do ecossistema fintech, o que certamente irá contribuir para que essas entidades desenvolvam novos e mais sofisticados casos de uso de Open Finance. Vamos falar de processos de onboarding mais simples? Dinheiro de empréstimo na conta em minutos? Assessores financeiros digitais? Portabilidade automática para melhores produtos financeiros? Redução de tempo nas tarefas financeiras do dia a dia das empresas? 

O espaço para inovar está aí. Para chegar lá, no entanto, precisamos parar de falar do Open Banking, e começar a fazê-lo acontecer. 

A opinião e as informações contidas neste artigo são responsabilidade do autor, não refletindo, necessariamente, a visão da SpaceMoney.

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