O perfil de Sydney Sweeney no Instagram registrou uma queda de 200 mil seguidores depois que a atriz estrelou uma campanha da Novig, plataforma americana de apostas e previsões esportivas. Na peça, a estrela de Euphoria e A empregada aparece sem roupa, com equipamentos de diferentes modalidades cobrindo partes do corpo, o que provocou uma reação imediata de atletas olímpicas contra o que elas descrevem como sexualização do esporte feminino.

A perda de seguidores foi contabilizada nos primeiros dias após a divulgação do anúncio, conforme noticiou o O Globo. O post com a propaganda somou 1,1 milhão de curtidas no perfil da atriz, o que dá a medida tanto do alcance da campanha quanto do desgaste provocado por ela.

Críticas de campeãs olímpicas

A reação mais contundente veio da natação. A australiana Ariarne Titmus, campeã olímpica, disse que ficou furiosa ao ver o anúncio e afirmou que a peça ofende todas as mulheres que dedicaram a vida à prática esportiva. Em publicação nas redes sociais, ela questionou por que o mercado ainda lucra sobre o corpo feminino e transforma o esporte de mulheres em apelo sexual, e lembrou que a modalidade deveria ser associada a valores como trabalho em equipe, dedicação e união.

A jogadora de polo aquático Tilly Kearns, também medalhista olímpica, afirmou ter detestado a campanha e usou as redes para compartilhar imagens do cotidiano real de atletas. Já a campeã mundial de boxe Skye Nicolson escreveu que há uma distância grande entre ser atraente por causa do próprio esporte e recorrer ao sexo para vender uma modalidade.

A velocista britânica Amy Hunt, que terminou os 200 m do Mundial de Atletismo de Budapeste na quarta posição, também criticou a propaganda em entrevista. Segundo ela, a realidade de uma atleta é feita de músculos, esforço e desgaste, e a rotina no alto rendimento não é glamourosa nem sensual na maior parte do tempo.

Movimento com imagens de treino

A insatisfação das esportistas se converteu em um movimento nas redes sociais, que passou a reunir registros de mulheres em treinos, competições e rotinas de sacrifício físico. A convocação partiu da ginasta americana Gracie Kramer, com a ideia de que aquelas imagens retratam a aparência real de quem compete, mensagem reproduzida por outras atletas e por praticantes amadoras.

A resposta da atriz

Sem escrever nenhum texto, Sweeney respondeu compartilhando capas antigas de revistas em que atletas posavam sem roupa. Entre as publicações estão edições estreladas por Serena Williams, Megan Rapinoe, Ronda Rousey e Sue Bird. Além de dar o rosto à campanha, a atriz é acionista da Novig e integra a plataforma como parceira estratégica.

Antecedente: a polêmica dos jeans

Não é a primeira vez que uma campanha estrelada por Sweeney gera controvérsia. No ano passado, a atriz foi o rosto de uma ação publicitária da American Eagle, marca de jeans, que foi criticada como racista e sexista por causa de um trocadilho que explorava a proximidade sonora, em inglês, entre os termos jeans e genes. A peça acabou elogiada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

Com 29 anos, Sweeney não publicou nenhum texto próprio para se defender da repercussão negativa, limitando sua resposta à divulgação das capas de atletas.