IA impulsiona profissionais a trocar gestão por trabalho operacional
Executivos deixam gestão para atuar na operação com apoio da IA

Executivos experientes estão abandonando cargos de gestão para retomar a execução direta de tarefas, um movimento atribuído ao avanço da inteligência artificial e à adoção da chamada “descentralização consciente” entre profissionais da Geração Z. O fenômeno, que já atinge posições mais seniores, foi descrito pela estrategista de GTM Juliana Chyzhova em artigo publicado no domingo (16). Para ela, ferramentas de IA permitem que uma única pessoa execute atividades que antes demandavam equipes inteiras.

A mudança ganhou contornos concretos na trajetória da própria autora. Chyzhova chegou ao cargo de CMO e comandou uma equipe de 65 pessoas antes de decidir voltar a trabalhar individualmente. Hoje responsável pelo marketing da AGI Inc., ela produz textos e apresentações, administra canais e conduz lançamentos sem uma equipe dedicada. Nos quatro meses anteriores à publicação do artigo, foram dois anúncios de parcerias, um rebranding e a criação de estratégias para três linhas de produtos.

Por que executivos estão voltando à execução

A lógica que associava o valor de um profissional ao número de pessoas sob sua supervisão está sendo reescrita pela IA. Chyzhova cita um relatório da Microsoft segundo o qual dois terços dos usuários de IA afirmam que a tecnologia os libera para realizar trabalhos melhores, enquanto mais da metade diz conseguir produzir coisas que não conseguiria um ano antes.

Outro caso mencionado é o de Elena Verna, ex-chefe de crescimento da Lovable, que deixou o cargo para retornar à execução. Profissionais com esse perfil passaram a ser chamados de “Super IC” ou “IC de alto impacto”, em referência a colaboradores individuais capazes de conduzir projetos do início ao fim. A tendência ocorre em paralelo a uma queda no engajamento de gestores registrada pela Gallup, de 27% para 22% em um ano, a maior retração anual já apontada pela pesquisa.

O efeito sobre quem está começando

O movimento também acende um alerta para profissionais em início de carreira. Dados da PwC citados pela estrategista indicam que vagas de nível inicial em áreas com forte presença de IA têm sete vezes mais chances de exigir habilidades de nível sênior. Levantamento da SignalFire aponta queda de cerca de 65% nas contratações de recém-formados em tecnologia desde 2019 e de 36% em marketing.

Para Chyzhova, a redução dessas oportunidades pode criar um problema futuro para as empresas, que terão menos profissionais iniciantes desenvolvendo experiência para ocupar posições de liderança. Enquanto isso, os gestores que migram para a operação encontram na IA um multiplicador de produtividade individual, redefinindo a estrutura das equipes e as trilhas de carreira. Você pode acompanhar as inovações e as principais notícias sobre tecnologia em tempo real aqui na SpaceMoney.